Um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump ainda não tem data definida. A avaliação do Planalto é que, caso a agenda não seja concretizada até o fim de junho, a reunião não deve ocorrer neste ano devido ao perÃodo eleitoral.
A expectativa inicial era que a reunião pudesse acontecer até o fim de junho, o que não se concretizou. A campanha eleitoral no Brasil começa em agosto, e em julho Lula já deve se dedicar mais a agendas internas, entrando em “modo eleição”, segundo aliados.
Tensões geopolÃticas dificultam agenda
Interlocutores do Planalto avaliam que o encontro com Trump deve ocorrer até o inÃcio de julho, sob risco de não acontecer este ano. A guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã vem dificultando a agenda.
Trump tem se dedicado a encontrar meios para acabar rapidamente com o conflito, mas enfrenta dificuldades. Lula, por sua vez, é um crÃtico à posição de Washington na guerra, afirmando que a alegação de que o Irã possuÃa arma nuclear é falsa.
Impacto econômico da guerra no Oriente Médio
A guerra, que se alastrou pelo Oriente Médio, gera preocupação no Planalto. Após um mês de conflito, o preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, aumentou em mais de 50%. O diesel também subiu, levando o governo a anunciar um pacote de medidas para evitar uma forte elevação do preço.
O governo Lula teme que uma alta no preço dos combustÃveis eleve a inflação à s vésperas da eleição e atrapalhe a campanha eleitoral. Auxiliares preveem que a guerra pode impactar também o preço do gás de cozinha.
Relações passadas e futuras entre Brasil e EUA
No ano passado, o embate com os EUA por causa da tarifa imposta por Trump ao Brasil deu a Lula uma agenda positiva, que, na avaliação do Planalto, ajudou o governo a melhorar sua avaliação. O governo brasileiro não cedeu à pressão da Casa Branca por medidas em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A pressão arrefeceu, e Lula e Trump tiveram um encontro na Malásia em outubro do ano passado para iniciar negociações sobre a tarifa. A partir de novembro, a sobretaxa sobre alguns produtos começou a cair. Os EUA haviam sinalizado desejo por terras raras brasileiras, e Lula mostrou disponibilidade em negociar.
Recentemente, o presidente voltou a falar sobre a relação com Washington para criticar o senador Flávio Bolsonaro, que será seu adversário na eleição de outubro. Ao criticar a recente viagem de Flávio aos EUA, Lula afirmou que até mesmo minerais raros seriam entregues aos americanos em um eventual governo do adversário.


Fonte: UOL