A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) no Brasil foi considerada fraca, registrando o pior desempenho dos últimos cinco trimestres, de acordo com a XP Investimentos. A maioria das empresas apresentou números alinhados às expectativas, com poucas surpresas positivas, especialmente em EBITDA e lucro, que sofreram deterioração.
A receita demonstrou resiliência, mas o EBITDA foi pressionado, principalmente por setores de commodities e cíclicos domésticos. Os setores de papel e celulose, TMT (Tecnologia, Mídia e Telecomunicações) e financeiro foram os destaques positivos, enquanto varejo e agronegócio tiveram desempenho mais fraco.
Em termos de surpresas, o lucro líquido apresentou menor proporção de resultados acima do esperado, indicando um enfraquecimento geral na qualidade dos balanços. As projeções de lucro (LPA) a partir de março foram revisadas positivamente, impulsionadas pelo setor de Energia devido à alta do petróleo, e também por Tecnologia, Industriais e Telecomunicações. Saúde e Consumo Básico ficaram para trás.
Destaques por Setor
No setor financeiro, os bancos apresentaram resultados sólidos e previsíveis. O Itaú (ITUB4) destacou-se pela boa rentabilidade e controle de custos. Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) requerem maior cautela. BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3) demonstraram consistência e melhora operacional.
Em papel e celulose, a XP ressaltou a Suzano (SUZB3) por resultados robustos, impulsionados por maiores volumes e melhores preços em celulose. Klabin (KLBN11) teve resultados abaixo do esperado devido à sazonalidade e demanda mais fraca. A Celulose Irani (RANI3) reportou resultados neutros.
O setor de tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT) apresentou resultados positivos, com destaque para a boa execução das empresas. Em telecomunicações, o desempenho foi resiliente, com grandes operadoras entregando resultados sólidos, crescimento de margens e geração de caixa. Empresas regionais também se destacaram pela eficiência operacional, com Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) como exemplos.
Desafios e Cenários
O setor de agronegócio teve resultados mistos, impactado por condições climáticas adversas e custos logísticos. No segmento de açúcar e etanol, o cenário permanece desafiador, apesar de preços melhores e estratégias de proteção, com a Raízen (RAIZ4) em situação mais delicada.
O varejo enfrentou um trimestre fraco, com demanda pressionada pelo cenário macroeconômico e concorrência no e-commerce. As farmácias foram o principal destaque positivo, com crescimento sólido nas vendas e ganhos operacionais. O e-commerce continuou desafiador, com maior competição impactando lojas físicas, embora o Mercado Livre (MELI) tenha se destacado em crescimento, mesmo com margens pressionadas.
Fonte: Moneytimes