Emprego nos EUA cresce e Fed mantém juros altos em forte aumento

Emprego nos EUA cresce em março, reforçando a decisão do Fed de manter juros altos e focar na inflação. Mercado de trabalho mostra resiliência.
Fachada da sede do Federal Reserve em Washington, DC 22/08/2018 REUTERS/Chris Wattie

O forte aumento nas contratações de trabalhadores nos Estados Unidos em março reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros inalteradas no futuro próximo. A economia americana adicionou empregos em todos os setores, com destaque para a manufatura, que registrou o maior ganho desde novembro de 2023. O setor de construção, lazer, hospitalidade e transporte também apresentaram crescimento.

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A taxa de desemprego entre a população negra, um indicador de fraqueza futura no mercado de trabalho, caiu de 7,7% para 7,1%. Anteriormente, as autoridades do Fed se preocupavam com a concentração de empregos no setor de saúde, o que poderia indicar um enfraquecimento em outras áreas da economia.

Economistas apontam que seria necessária uma surpresa significativa para que o Fed decidisse por um corte nas taxas de juros no curto prazo. A expectativa é de que a política monetária permaneça em compasso de espera pelas próximas reuniões.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram após a divulgação dos dados de emprego, e os mercados futuros precificam uma probabilidade mínima de corte de juros este ano. Os mercados acionários dos EUA permaneceram fechados devido ao feriado da Sexta-feira Santa.

A escalada dos preços globais do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas, alterou o cenário. Inicialmente, investidores antecipavam flexibilização nas taxas de juros, mas o aumento dos custos de energia levanta preocupações sobre um choque maior na inflação ou na atividade econômica, caso empresas e famílias reduzam seus gastos.

O relatório de empregos de março não oferece clareza direta sobre esse debate. O aumento salarial, a uma taxa anual de 3,5%, está dentro da faixa considerada compatível pelo Fed com sua meta de inflação de 2%. No entanto, o mercado de trabalho demonstra vitalidade, afastando o receio de um desequilíbrio que poderia levar a um rápido aumento do desemprego.

Apesar da redução na força de trabalho, as empresas conseguiram contratar novos funcionários entre os desempregados e também atrair pessoas para o mercado de trabalho. O número de indivíduos que passaram diretamente de inativos para empregados aumentou significativamente.

A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3% no mês anterior, mantendo-se na faixa de 4% a 4,5% desde meados de 2024. Contudo, os dados de março podem não refletir totalmente os riscos futuros, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio e seu impacto no fornecimento global de petróleo.

Os próximos dados de inflação de março serão divulgados em breve, fornecendo mais informações para a avaliação do Fed antes de sua próxima reunião. O mercado de trabalho americano continua resiliente, o que dificulta a justificativa para novos cortes nas taxas de juros.

Fonte: Infomoney

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