Crise no PT ameaça palanque de Lula no Rio Grande do Sul

Crise interna no PT ameaça palanque de Lula no Rio Grande do Sul com imposição de candidatura do PDT, gerando forte oposição interna.

Uma crise interna no PT ameaça a montagem do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio Grande do Sul, o quinto maior colégio eleitoral do país. A cúpula do partido decidiu intervir no diretório estadual para lançar a advogada Juliana Brizola (PDT) ao governo gaúcho, em detrimento de um candidato petista.

A decisão provocou uma rebelião, pois o PT já realizava campanha para o ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, que tinha o slogan “Levanta, Rio Grande”. Caso a mudança se concretize, será a primeira vez que o PT não terá candidato próprio ao governo do estado.

O ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, manifestou forte oposição à intervenção, afirmando que a medida é contra os princípios do partido e desrespeita a trajetória construída. Ele ressaltou que a questão transcende o âmbito regional, pois o que está em jogo é o tipo de frente política que pode garantir a eleição do presidente Lula.

Tarso Genro expressou incredulidade quanto à possibilidade de uma intervenção que imponha um candidato de outro partido à militância petista. Ele enfatizou que a decisão regional já havia sido consolidada e legitimada politicamente.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, busca um acordo para conter a crise, mas a orientação para a intervenção partiu do próprio presidente Lula, que incentivou alianças nacionais em detrimento de candidaturas próprias. No Rio Grande do Sul, o acordo envolveu a cedência da cabeça de chapa ao PDT, exigida para o apoio a Lula em outros estados.

Juliana Brizola aparece à frente de Edegar Pretto nas pesquisas de intenção de voto, embora o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) lidere todos os levantamentos. Dirigentes petistas gaúchos argumentam que o PDT apoia o governo estadual de Eduardo Leite, classificado por eles como “de direita”, e que Brizola já teria assegurado a entrega de cargos.

A ex-deputada Juliana Brizola questionou a divisão do campo político e o preço da fragmentação eleitoral, ponderando sobre a prioridade de marcar posição e eleger parlamentares em detrimento da unidade.

Edegar Pretto, pré-candidato escolhido pelo PT gaúcho, solicitou a convocação do diretório estadual para discutir o assunto, indicando que ele e seu grupo não pretendem desistir da candidatura própria. Pretto defendeu a democracia como construção e respeito às instâncias partidárias.

A situação no Rio Grande do Sul reflete uma estratégia nacional do PT. No Ceará, Lula também orientou o partido a atender às exigências do senador Cid Gomes (PSB-CE) para apoiar a campanha do governador Elmano de Freitas (PT). Cid Gomes exige que o PT apoie a candidatura de Júnior Mano (PSB) ao Senado, apesar de Mano ser investigado pela Polícia Federal.

Caso Júnior Mano seja candidato, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), teria que desistir de sua própria candidatura ao Senado. Guimarães, que coordena o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) petista, afirmou que não abrirá mão de sua candidatura.

Fonte: Estadão

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