CPI do Crime Organizado: Relator prevê indiciamentos e acusa STF de atrapalhar investigações

Relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, anuncia indiciamentos e critica atuação do STF, citando supostos entraves em investigações.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado no Senado, afirmou nesta sexta-feira (10) que o relatório final da comissão incluirá indiciamentos. Em entrevista ao UOL News, Vieira acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de ter dificultado as investigações ao longo dos trabalhos.

A CPI encerra suas atividades na terça-feira (14), sem prorrogação de prazo decidida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Na mesma data, está prevista uma oitiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

Vieira declarou que o relatório registrará o modo de atuação do Banco Master, incluindo servidores do Banco Central sob suspeita de receberem valores para ignorar irregularidades. O documento também abordará dados obtidos pela CPI que indicam um suposto repasse de R$ 80 milhões do Master ao escritório de Viviane Barci, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, valor considerado pela comissão como incompatível com os serviços prestados, conforme dados da Receita Federal.

O senador criticou o STF, alegando que a Corte impediu a obtenção de informações cruciais. Segundo Vieira, o ministro Alexandre de Moraes ignorou o pedido da CPI para ouvir os deputados presos TH Joias e Bacellar. Ele também apontou que o ministro Gilmar Mendes utilizou um processo arquivado para reivindicar a relatoria de um caso e bloquear a quebra de sigilo de um fundo investigado por suposta ligação com o ministro Dias Toffoli.

“O Supremo atrapalhou o andamento da CPI do Crime Organizado”, reiterou o senador.

Vieira mencionou que Dias Toffoli se apresentava publicamente como sócio oculto de um resort, referindo-se ao investimento como um empreendimento familiar. O Estadão revelou que Toffoli é acionista da Maridt, empresa administrada por seus irmãos, que detinha participação em dois resorts da rede Tayayá no Paraná. A empresa vendeu fatias a fundos controlados por Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Toffoli teria recebido dividendos dessa participação.

O senador informou sobre dois pedidos de CPI específicos para investigar o Banco Master no Senado, um com 53 assinaturas e outro com mais de 40, que tratam da relação entre ministros do STF e a instituição. Nenhum foi instalado. O caso está sob análise do ministro Kassio Nunes Marques, que, segundo Vieira, não pautou o pedido nem atende parlamentares.

Sobre a possibilidade de revisão de condenações no caso do suposto golpe de Estado, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Vieira expressou acreditar que isso ocorrerá, citando cerceamento de defesa, ausência de duplo grau de jurisdição e o que classificou como “abuso extremo” por parte de Moraes.

Em relação à indicação do ministro Jorge Messias para o STF, Vieira aguardará a sabatina para se pronunciar. Ele avaliou que Messias “atende a barra que está lá no Supremo hoje tranquilamente”, mas defendeu que o tribunal deveria priorizar candidatos com carreira mais longa e apoiou propostas de idade mínima e menor tempo de permanência na corte, considerando a permanência excessiva negativa para o sistema.

Fonte: Estadão

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