A concessão da Copa do Mundo de 2026 à América do Norte prometia ser um evento de grande impacto econômico. Os Estados Unidos, com sua infraestrutura de megaestádios e uma base de fãs crescente, esperavam sediar a maior e mais lucrativa edição do torneio. Um estudo da FIFA e da Organização Mundial do Comércio (OMC) previa que o evento de 39 dias atrairia 6,5 milhões de torcedores e geraria US$ 30,5 bilhões em atividade econômica apenas nos EUA, com US$ 11,1 bilhões em gastos diretos. A perspectiva para o turismo era considerada promissora, com hotéis prevendo ocupação recorde e negócios locais se beneficiando do aumento no fluxo de visitantes.
Alta dos combustíveis e instabilidade geopolítica impactam viagens
No entanto, com o torneio a pouco mais de dois meses de distância, choques geopolíticos e obstáculos relacionados à imigração nos Estados Unidos ameaçam desestimular visitantes internacionais. A recente escalada de tensões no Oriente Médio elevou os preços do petróleo Brent acima de US$ 100 o barril, impactando diretamente os custos de viagem. O preço médio da gasolina nos EUA ultrapassou US$ 4 por galão, e o custo das passagens aéreas também aumentou significativamente devido à alta do combustível de aviação.
Esses fatores podem levar menos pessoas a viajar de carro para assistir aos jogos ou a optar por voos mais caros. A instabilidade geopolítica também levanta preocupações sobre a segurança, com relatos de boicotes e declarações de autoridades que podem influenciar a decisão de torcedores em viajar para os Estados Unidos.
Obstáculos para turistas internacionais
O governo dos EUA tem implementado políticas que podem dificultar a visita de estrangeiros. Proibições de viagem podem impedir torcedores de certas nações de assistir aos jogos, e o custo do sistema eletrônico de autorização de viagem (ESTA) e de vistos de não imigrante dobrou para muitos visitantes. Taxas adicionais e depósitos podem elevar ainda mais o custo total da viagem para cidadãos de países não elegíveis ao ESTA ou com jogos programados nos EUA.
A participação do Irã no torneio, apesar das incertezas geopolíticas, adiciona outra camada de complexidade. Preocupações com o serviço de imigração e fiscalização (ICE) também podem desencorajar torcedores de viajar, levando-os a repensar sua participação para evitar possíveis transtornos.
Procura por hospedagem e turismo doméstico oferecem esperança
Apesar das incertezas, dados de aluguel de curto prazo indicam uma demanda crescente durante o período do torneio nas cidades-sede dos EUA. A expectativa é que a oferta de imóveis de curto prazo seja insuficiente para atender a todos os interessados, com proprietários aumentando preços em antecipação à Copa. O aumento nas reservas pode se estender a regiões próximas às cidades-sede, impulsionando o turismo doméstico.
Embora as reservas em hotéis possam não ter atingido o nível esperado em algumas cidades, o turismo doméstico pode compensar parte da lacuna. O evento ainda possui potencial para ser bem-sucedido, mas para os turistas internacionais, a experiência pode ser mais desafiadora devido aos diversos obstáculos mencionados.
Fonte: Estadão