Um relatório interno do BRB indica que os contratos de crédito entre o Master e a Tirreno tiveram suas firmas reconhecidas dois dias antes de o banco de Daniel Vorcaro repassar a mesma carteira ao BRB.

O reconhecimento de firma por um cartório atesta a autenticidade de uma assinatura, confirmando que foi feita pela pessoa identificada.
Essas carteiras de crédito consignado da Tirreno foram adquiridas pelo Master por R$ 6,3 bilhões e repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões. Investigações da Polícia Federal (PF) sugerem que os ativos não possuíam lastro, sendo considerados sem valor.
As informações constam em um relatório do BRB finalizado em maio de 2025, menos de dois meses após o Banco de Brasília anunciar a intenção de adquirir 58% das ações do Banco Master. A operação foi barrada pelo Banco Central, que liquidou o banco na mesma data em que prendeu Daniel Vorcaro.
Segundo o documento, em 5 de maio, o Master compartilhou com o BRB uma pasta com os contratos firmados com a Tirreno. No dia seguinte, o BRB solicitou o envio das cópias dos contratos registrados em cartório e marcou uma reunião para 9 de maio. Este foi um dos encontros que o Master recusou, pedindo reagendamento para 13 de maio.
A reunião ocorreu, mas sem a presença dos responsáveis pela Tirreno. Dois dias depois, em 15 de maio, o banco de Vorcaro recebeu do Master uma pasta com 26 contratos de cessão. O documento revelou que os contratos foram assinados manualmente e o reconhecimento de firma ocorreu apenas em 13 de maio de 2025, dois dias antes da reunião com o BRB e 19 dias após a última operação entre Master e Tirreno.
“A assinatura física e o reconhecimento posterior podem levantar questionamentos quanto à tempestividade e à formalização adequada dos documentos, sobretudo considerando o volume e a relevância financeira das operações envolvidas”, aponta um trecho do relatório do BRB.
O parecer do BRB também destaca a rapidez com que o Master comprava da Tirreno e repassava ao Banco de Brasília. “Essa velocidade na revenda, embora possa refletir uma estratégia operacional definida, impõe a necessidade de atenção especial quanto à conformidade documental, à efetiva transferência de risco e à adequação contábil”, afirma o documento.
Como noticiado anteriormente, o Master chegou a comprar R$ 143,6 milhões da Tirreno em 4 de março, terça-feira de Carnaval, e repassou ao BRB por R$ 251,2 milhões na Quarta-feira de Cinzas.
As investigações da PF apontam que o BRB comprou um total de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas sem lastro, que não pertenciam ao Master e não possuíam garantias financeiras. A suspeita é que o Banco Master não dispunha de fundos suficientes para honrar os títulos emitidos com vencimento em 2025. Assim, comprou créditos da Tirreno sem realizar qualquer pagamento e os revendeu ao BRB.
Em diversas reuniões, o Master omitiu a Tirreno como originária dos créditos cedidos ao BRB. A equipe do Banco de Brasília descobriu a origem dos créditos em uma visita técnica realizada em 29 e 30 de abril de 2025, constatando que as carteiras tinham a Tirreno como fonte, e não o banco de Vorcaro.
Fonte: G1