O Citi revisou para cima o preço-alvo das ações da Petrobras (PETR4), elevando o valor de R$ 37 para R$ 49. Para a American Depositary Receipt (ADR) da estatal (PBR), o preço-alvo passou de US$ 15 para US$ 19,50. Essa atualização representa um potencial de valorização de 5% para a PETR4 em relação ao fechamento anterior.






A principal justificativa para a mudança, segundo o banco, são os preços mais elevados do petróleo no curto prazo. Apesar disso, a recomendação de investimento para a Petrobras foi mantida em neutra.
O Citi projeta que a Petrobras se beneficiará dos preços altos do petróleo, mas de forma limitada. Isso ocorre porque a estatal deve ter sua exposição ao aumento de preços restrita ao volume de exportação, que representa cerca de 0,9 milhão de barris por dia de uma produção total de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia. Essa limitação se deve à adesão da empresa ao programa de subsídio do diesel, com expectativas de preços estáveis para o combustível.
Adicionalmente, o banco destaca que a Petrobras está sendo negociada com um dividend yield e fluxo de caixa livre (FCFE) projetado para 2026 entre 12% e 18%. Essa métrica pode indicar potenciais anúncios de fusões e aquisições ou um investimento de capital (capex) acima da faixa média prevista, o que poderia representar riscos de queda para o dividend yield.
Benefícios da alta do petróleo para a Petrobras
O recente aumento nos preços do petróleo e nas margens de refino deve beneficiar a estatal, especialmente considerando os potenciais impactos do conflito no Oriente Médio. O Citi estima que o impacto poderia ser mais significativo caso a empresa adote novas medidas de precificação para os combustíveis, que atualmente são negociados abaixo do Índice de Preços ao Produtor (IPP).
No entanto, a empresa mantém um programa de subsídio ao diesel, o que limita o potencial de alta dos preços ao valor de comercialização definido por este programa. O Citi prevê que os preços de diesel e gasolina permanecerão estáveis até o final do ano em suas projeções.
O modelo do Citi considera o recebimento do subsídio ao diesel em duas parcelas: a primeira de R$ 0,32 por litro e a segunda, anunciada recentemente, de R$ 0,80 por litro, totalizando um efeito de R$ 1,12 por litro no diesel doméstico. O banco também aponta que o recebimento do subsídio pode ocorrer com um atraso de cerca de 20 dias, o que pressiona o capital de giro. A expectativa é de recebimento da primeira parcela até o fim de 2026 e da segunda até o final de maio.
No modelo, foi incluído um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo até o final do ano.
Dividendos e FCFE da Petrobras sob análise
Apesar das incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, o Citi avalia que há risco de alta para os preços do petróleo. O cenário base para o Brent está abaixo da curva futura nos próximos meses, o que sugere que, caso o conflito se prolongue, os preços do petróleo podem superar as projeções atuais.
Isso poderia impulsionar o anúncio de dividendos e a geração de FCFE em relação ao cenário base. Ao considerar os preços de diesel e gasolina estáveis até o fim de 2026 e um capex estimado de US$ 17 bilhões para a Petrobras, o Citi prevê:
- Dividendos ordinários em torno de 12%
- Rendimento de FCFE em torno de 18% (desconsiderando fusões e aquisições)
Com esses resultados, a estatal teria condições de reduzir sua alavancagem ao longo do ano, abrindo espaço para possíveis dividendos ordinários. Nas estimativas do Citi, considerando os preços do Brent alinhados com a curva futura, os dividendos ordinários e o FCFE de 2026 poderiam atingir, respectivamente, cerca de 13% e 19%.
Fonte: Moneytimes