A Companhia Brasileira de Lítio (CBL) planeja triplicar sua capacidade de produção de lítio, com o objetivo de expandir suas operações de mineração, beneficiamento e refino em Minas Gerais. Para viabilizar este plano de crescimento, a mineradora busca atrair novos sócios e levantar ao menos US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 800 milhões) em duas frentes de negócios.
Expansão da Refinaria de Lítio
O primeiro passo envolve a venda de 33% da CBL Refinaria, braço de refino da empresa, para a companhia indiana Altmin. O acordo, avaliado em US$ 40 milhões (R$ 210 milhões), visa aplicar os recursos na expansão e modernização da unidade de refino em Divisa Alegre (MG). O plano é aumentar a capacidade de produção de carbonato de lítio grau bateria de 2 mil para 6 mil toneladas anuais.
A Altmin se comprometeu a comprar 5 mil toneladas ou mais do produto refinado para uso em suas instalações na Índia, onde fabrica cátodos para baterias elétricas de íon-lítio. O contrato de compra de longo prazo (offtake) firmado por 15 anos traz segurança ao investimento, segundo Vinícius Alvarenga, CEO da CBL. A Altmin terá dois representantes no conselho de administração da CBL Refinaria.
A modernização e o aumento de capacidade da refinaria, com maior automação, devem ser concluídos em 24 meses. A unidade foi estabelecida em Divisa Alegre em 1991, buscando incentivos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Novo Salto na Mineração
Paralelamente, a CBL negocia com grupos estrangeiros e nacionais para a entrada de um sócio minoritário relevante, que poderá deter até 40% do capital acionário. Esta operação, que inclui oferta primária e secundária de ações, tem o objetivo de levantar no mínimo US$ 100 milhões (R$ 530 milhões).
Os recursos serão destinados à triplicação da produção de minério e concentrado de lítio na área de mineração, elevando a capacidade de 55 mil para 165 mil toneladas anuais até 2028. A CBL conta com a assessoria do Itaú BBA para estas negociações.
As reservas atuais de minério mapeadas garantem uma produção de até 200 mil toneladas por ano, com um volume medido de 21,5 milhões de toneladas. A empresa continua com trabalhos de sondagem e prospecção para expandir esse potencial.
Mercado Global de Lítio e Perspectivas
O mercado mundial de lítio, dominado em cerca de 90% pela China, especialmente na etapa de refino, enfrentou um período de colapso nos preços a partir de meados de 2023. O preço da tonelada de concentrado chegou a cair para US$ 600 e o do carbonato para US$ 8 mil, uma queda superior a 80% em comparação ao início de 2023.
A demanda global por lítio, no entanto, mantém-se firme, impulsionada pela fabricação de baterias estacionárias para projetos de energia solar e eólica, e por data centers vinculados à inteligência artificial. A fabricação de baterias para carros elétricos também contribui para essa demanda.
Com a expansão, a CBL prevê exportar dois terços da produção de concentrado. A empresa é pioneira na produção de lítio no Brasil e totalmente verticalizada, cobrindo desde a mineração até o refino de compostos de lítio, com a vantagem de realizar lavra subterrânea, que gera menor impacto ambiental.
Fonte: Estadão