Caster Semenya critica impacto de banimento de atletas DSD nas Olimpíadas

Caster Semenya critica a nova política do COI sobre atletas DSD, chamando-a de exclusão e questionando a base científica para o banimento.

A nova política do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a categoria feminina no esporte, divulgada na semana passada, tem gerado debates sobre seu impacto em atletas com Diferenças no Desenvolvimento Sexual (DSD). Embora o foco inicial tenha sido em atletas transgênero, especialistas e atletas apontam que os efeitos serão mais sentidos por aquelas com DSD.

74274791 1004
74274791 1004
74274791 1004
74274791 1004
74274791 605
74274791 605
74274791 605
74274791 605
74274791 803
74274791 803
74274791 803
74274791 803

A política do COI, que exige que atletas mulheres mantenham os níveis de testosterona abaixo de 5 nmol/L por pelo menos seis meses antes da competição, afetou a velocista sul-africana Caster Semenya. Semenya, que possui DSD, recusou-se a cumprir a exigência, o que a impediu de competir nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Nova política do COI e o caso Semenya

A nova diretriz do COI, que reverte para testes SRY (verificação da presença do gene SRY no cromossomo Y), busca testar a presença de características biológicas masculinas. Semenya criticou a decisão em um artigo para a revista Time, classificando-a como uma “desgraça” e “exclusão com um nome diferente”.

A política anterior do COI, sob Thomas Bach, defendia que não havia uma “solução única” para a questão do teste de gênero. No entanto, um relatório de 2023 de cientistas globais destacou as diferenças biológicas fundamentais entre homens e mulheres em eventos esportivos que dependem de resistência, força, velocidade e potência, atribuindo-as a diferenças sexuais ditadas por cromossomos e hormônios, especialmente a testosterona na puberdade.

Vantagem atlética e complexidade dos casos DSD

Enquanto atletas transgênero podem ter vantagens atléticas reconhecidas, os casos de DSD são mais complexos. As Diferenças no Desenvolvimento Sexual afetam o desenvolvimento natural de genes, hormônios e órgãos reprodutivos, diferindo da identidade de gênero de pessoas transgênero. Semenya e a pugilista Imane Khelif, que também possui DSD, podem ser marginalizadas por essa mudança.

O professor Alun Williams, cientista esportivo da Manchester Metropolitan University, expressou preocupação com os problemas éticos dos testes genéticos em jovens e a simplificação excessiva da biologia sexual ao reduzir o sexo biológico à presença de um único gene no cromossomo Y. Ele ressaltou que a evidência de vantagem física em pessoas com DSD é altamente disputada, ao contrário da evidência para pessoas transgênero.

Semenya se sente traída pela liderança do COI

A política atual do COI espelha as regras da World Athletics (WA). Semenya sentiu-se visada após a mudança de regras da WA no ano passado. Ela afirmou que ser uma atleta de elite resulta de treinamento, trabalho árduo e dedicação, não apenas do corpo.

Sebastian Coe, presidente da WA, e Kirsty Coventry, presidente do COI, implementaram as mudanças após assumirem seus cargos. Coventry defendeu a política como baseada em ciência e justiça, afirmando que seria injusto e potencialmente inseguro para homens biológicos competirem na categoria feminina. Ela também enfatizou a necessidade de dignidade, respeito, educação e aconselhamento para os atletas envolvidos no processo de triagem.

Semenya, que participou das discussões do COI sobre o banimento, expressou decepção com Coventry, uma mulher africana como ela, sentindo-se traída pela decisão.

Fonte: Dw

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade