O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) busca consolidar uma maioria de senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para 2027. Essa estratégia se reflete na escolha de nomes da direita para as eleições de outubro, divergindo do discurso oficial adotado por seu filho, Flávio Bolsonaro, na corrida presidencial.




O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem evitado confrontos diretos com o STF, buscando uma estratégia de moderação, apesar de seu histórico político. A prioridade para candidatos bolsonaristas ao Senado é reequilibrar os Poderes e viabilizar o impeachment de magistrados, com foco especial em Alexandre de Moraes.
Após receber alta médica e ser transferido para prisão domiciliar, Bolsonaro tem articulado, de sua residência, a lista de candidatos preferenciais para o Senado. O partido PL definiu que o ex-presidente será o responsável pela escolha dos senadores, enquanto Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, cuidará dos governadores e deputados.
O PL já lançou ou cogita 35 nomes para o Senado. Desses, pelo menos 24 já defenderam publicamente o impeachment de ministros do STF ou assinaram pedidos para a instauração do processo. Somando aliados de Flávio de outros partidos, o número de potenciais candidatos da direita bolsonarista ultrapassa 50.
A meta de Bolsonaro é que a direita bolsonarista eleja até 35 senadores em 2027, garantindo a maioria da Casa. Atualmente, o PL possui 17 senadores, com 10 deles permanecendo no cargo após 2027. O partido planeja ter um candidato próprio ao Senado em cada estado, com exceção do Amapá.
Com o controle do Senado, o objetivo é eleger o presidente da Casa e avançar pautas que foram travadas anteriormente. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) explicitou os planos da família em um evento conservador nos EUA, afirmando que os futuros senadores “impicharão” Alexandre de Moraes e que ele processará o ministro por crimes cometidos.
O deputado federal Sanderson (PL-RS) justifica a necessidade de maioria no Senado como forma de proteger Bolsonaro da “maior perseguição da história do Brasil” e controlar a “Suprema Corte fora de controle”. Ele vê justa causa para o impeachment de Moraes e Dias Toffoli.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem focado sua retórica no governo Lula (PT) e em propostas, evitando o discurso anti-STF. Aliados do senador avaliam que a beligerância do pai e o confronto com outros Poderes prejudicaram a derrota em 2022 e que esses erros não devem ser repetidos. Eles também acreditam que Flávio quer evitar atritos com Moraes, que poderia suspender a prisão domiciliar do pai.
Apesar de defender o impeachment de ministros de forma protocolar, Flávio critica o STF e já participou de manifestações contra Moraes e Toffoli. Ele afirma que defenderá o impeachment de ministros que comprovem crime de responsabilidade e descumpram a lei, sem que isso seja antidemocrático.
Candidatos ao Senado, como Bia Kicis (PL-DF), afirmam que Flávio defende o impeachment, mas precisa agir com cautela por já ser alvo. Outros, como o coronel Hélio Oliveira (PL-RN), consideram o impeachment um instrumento legal, mas evitam mencionar nomes de ministros. Marcelo Queiroga (PL), pré-candidato na Paraíba, vê o impeachment como um processo legal, não uma obsessão.
Filipe Barros (PL-PR), também postulante ao Senado, considera o impeachment uma pauta, mas enfatiza a necessidade de uma reforma do Judiciário feita de forma sóbria e com a participação de juristas e ministros.
Fonte: UOL