O bloqueio do Estreito de Ormuz, vigente desde 28 de fevereiro em decorrência do conflito no Irã, gera preocupações sobre uma crise severa no abastecimento de fertilizantes. Esta rota estratégica é responsável pela circulação de 35% do comércio mundial de insumos agrícolas, colocando em risco a produtividade de cereais na África e na Ásia.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a escassez de fertilizantes nitrogenados pode provocar uma redução de até 50% na colheita global. O conflito no Golfo eleva o risco de racionamento global, impactando toda a cadeia de suprimentos.
Impacto nos custos de produção
A produção de fertilizantes sintéticos, como amoníaco e ureia, depende diretamente do gás natural. Com a instabilidade na região, o preço do barril de petróleo alcançou uma média de 121 dólares em abril, pressionando os custos de produção agrícola. A ausência de insumos pode reduzir a capacidade produtiva mundial pela metade, afetando a segurança alimentar de 45 milhões de pessoas.
Ausência de mecanismos de mitigação
Máximo Torero, economista-chefe da FAO, alerta para o risco de uma catástrofe alimentar. Diferente da crise energética, que dispõe de reservas estratégicas monitoradas pela Agência Internacional de Energia, não existem mecanismos globais capazes de suprir a falta de fertilizantes a curto prazo. A dependência de produtores no Oriente Médio, como Arábia Saudita e Catar, torna o sistema agroalimentar vulnerável a interrupções no transporte marítimo.
Fonte: Elpais