O bitcoin (BTC) registrou queda nesta quinta-feira (2), em um dia de piora no humor global após novas ameaças de escalada militar dos Estados Unidos contra o Irã. Declarações do presidente Donald Trump de que Washington poderá atacar o país “com extrema força” nas próximas duas ou três semanas devolveram os mercados ao modo defensivo e pressionaram ativos mais voláteis, como as criptomoedas.
Por volta das 10h30, o bitcoin era negociado a US$ 66.126,48, com queda de 3,5% nas últimas 24 horas. Em reais, valia R$ 341.616,39. Entre as principais altcoins, o ether (ETH) era negociado a US$ 2.030,26, com recuo de 4,8% em 24 horas; o XRP valia US$ 1,29, em baixa de 5,1%; a BNB era cotada a US$ 573,67, com perda de 6,9%; e a solana (SOL) saía a US$ 77,46, queda de 7% no mesmo período.
Aversão ao risco e impacto no mercado
A alta do petróleo e o fortalecimento do dólar tendem a apertar as condições financeiras globais e reduzir o apetite por risco, o que pesa sobre o bitcoin no curto prazo. A permanência do ativo abaixo da região de US$ 70 mil reforça a fragilidade técnica do mercado e abre espaço para testes entre US$ 65 mil e US$ 69,5 mil nas próximas horas.
Fluxo de ETFs e suporte para o Bitcoin
Apesar da pressão atual, o mercado de criptomoedas segue em direção incerta. Dados recentes mostram que os ETFs de bitcoin à vista voltaram a registrar entrada líquida em março, com cerca de US$ 1,2 bilhão, interrompendo uma sequência de quatro meses de saídas. O retorno desse fluxo ajuda a explicar por que o ativo continua encontrando suporte mesmo em um ambiente externo mais adverso.
Equilíbrio entre riscos e acumulação
O mercado vive um “cabo de guerra”, em que de um lado há a guerra no Oriente Médio, o petróleo mais caro e a perspectiva de juros elevados por mais tempo, e de outro, a acumulação por investidores de longo prazo e a retomada das entradas nos ETFs. Esse equilíbrio ajuda a conter quedas mais fortes, embora não elimine o risco de novas correções no curto prazo.
O comportamento recente do bitcoin guarda semelhanças com o ciclo de 2021-2022, o que mantém a faixa de US$ 60 mil no radar como suporte importante. Em um cenário mais negativo, a criptomoeda poderia testar níveis próximos de US$ 50 mil. Contudo, o mercado hoje conta com uma base compradora mais robusta do que em ciclos anteriores, formada por investidores de longo prazo, ETFs e empresas.
Fonte: Globo