O novo livro de Fernando Morais, “Lula, volume 2: Biografia”, falha em esclarecer a transformação do PT durante a campanha presidencial de 2002, marcada pela “Carta ao Povo Brasileiro”. O autor omite fatos cruciais para a compreensão do período.
Em 2000, o PT apoiou um plebiscito informal promovido pela Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) sobre o pagamento das dívidas públicas interna e externa. A iniciativa, liderada pelo então presidente do partido, José Dirceu, contou com o apoio de economistas ligados ao PT, que publicaram artigos defendendo o não pagamento da dívida.
Ao final de 2000, o discurso econômico do PT associou-se à ideia de não pagamento da dívida pública. Menos de 18 meses depois, com a ascensão de Lula nas pesquisas presidenciais de 2002, os mercados financeiros reagiram com pânico, forçando o PT a adotar um discurso menos irresponsável para conquistar a Presidência.
Morais não menciona o plebiscito da dívida em sua obra. Apesar de entrevistar mais de 60 pessoas, o biógrafo não esclarece a ligação entre a pressão sofrida pelo PT em 2002 e seu apoio ao plebiscito de 2000. Em vez disso, o livro insiste na narrativa negacionista sobre a resistência das elites à eleição de Lula.
A transformação do PT foi efêmera, iniciando sua reversão em 2005 com o discurso de Dilma Rousseff sobre gastos. Desde 2010, o partido tem buscado retornar às suas origens ideológicas. O PT, preso ao negacionismo, demonstra incapacidade de aprender com seus erros, cometidos em 2000, na gestão de Dilma e no atual Governo Lula 3.
Fonte: Estadão