O Banco Central (BC) comunicou ao Banco Master e ao BRB (Banco de Brasília) que a compra do Master pelo BRB não tinha condições de ser aprovada, dois meses antes da decisão final de barrar a operação. Em um ofício de 27 de junho do ano passado, técnicos do BC indicaram que a documentação apresentada pelos bancos em cinco ocasiões era insuficiente.



Naquela data, o BC listou 40 pontos que necessitavam de mais explicações, demonstrações, detalhamentos e envio de documentos, como demonstrativos contábeis e relatórios de diligência. A definição das partes do Master a serem transferidas para o BRB mudou diversas vezes entre o pedido inicial e a decisão final.
Um relatório de diligência da consultoria PwC, citado pelo BC, apontou “falta de informações suporte de forma completa”, incluindo a ausência de reconciliação de saldos relevantes de ativos. Segundo o relatório, parte das informações era controlada manualmente, o que aumentava o risco relacionado à confiabilidade dos dados e destacava a necessidade de aprimoramento dos controles internos.
O BC solicitou ao Master explicações sobre a composição do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (Fidc) RSG e sua rentabilidade reportada. O banco informou uma rentabilidade de 4.245,81% em 42 dias, segundo o ofício do Banco Central.
Em novo ofício, de 23 de julho, o BC reiterou que o pedido de autorização não tinha condições de ser aprovado devido a inconsistências e indefinições no perímetro da transação, além de falhas nas projeções econômico-financeiras. Essas falhas, segundo os técnicos, “comprometem o requisito de viabilidade da operação”.
Os documentos internos do BC foram enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU), que apura a conduta do BC na liquidação do Master e na análise da proposta do BRB. A área técnica do TCU concluiu que o BC foi diligente, mas indicou que o BRB pode ter agido de maneira temerária e cometido erros ao insistir na compra, mesmo com suspeitas de fraudes identificadas pelo BC.
O governo do Distrito Federal, acionista majoritário do BRB, afirmou que o banco possui governança corporativa robusta e atua com independência em suas decisões de mercado. A compra do Master, denominada “Projeto Vórtice”, era vista como uma medida para impulsionar a expansão nacional do BRB.
Em 2025, pouco mais de dois meses após o BC barrar a transferência de controle, o Banco Master teve sua liquidação decretada. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso e atualmente negocia um acordo de colaboração premiada.
Fonte: UOL