O Banco Master, de Daniel Vorcaro, realizou pagamentos totalizando R$ 27,2 milhões ao portal Metrópoles, de Luiz Estevão, entre 2024 e 2025. Os repasses ocorreram durante as negociações do Master com o BRB.



Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que os valores foram destinados a patrocÃnios de futebol e divulgação de conteúdo publicitário e marketing das marcas do Master e do Will Bank, instituição liquidada do mesmo conglomerado. Luiz Estevão afirmou que o objetivo era fortalecer a marca no ambiente local.
IndÃcios de irregularidades financeiras
O relatório do Coaf aponta indÃcios de possÃveis irregularidades em parte desses pagamentos. Os valores eram repassados rapidamente para contas ligadas a Estevão ou seus familiares, caracterizando uma “transferência instantânea”. O documento sugere “possÃvel movimentação de recursos em benefÃcio de terceiros”.
Assim que o Banco Master efetuava o pagamento ao Metrópoles, o mesmo valor era repassado em diversas transferências. A principal destinatária era a Madison Gerenciamento, empresa também pertencente a Luiz Estevão. Outras empresas da famÃlia, como Sense Construções e Macondo Construções, também receberam recursos.
Origens e destinações dos valores
Luiz Estevão detalhou que os R$ 27,2 milhões tiveram seis origens distintas. Parte dos valores foi destinada à aquisição dos naming rights da Série D do Campeonato Brasileiro e ao patrocÃnio de suas transmissões. Houve também acordo de publicidade para a Supercopa de 2025.
Além disso, outras campanhas de marketing foram realizadas para o fortalecimento da marca Will Bank. Estevão ressaltou que o Metrópoles Marketing era correntista do Banco Master, movimentando seus próprios recursos.
Contexto da negociação com o BRB
Daniel Vorcaro, que está preso sob suspeita de fraude financeira, tentou vender o Banco Master ao BRB, instituição estatal de BrasÃlia. O negócio foi questionado pelo Banco Central (BC). Vorcaro iniciou uma campanha crÃtica ao BC e seus diretores.
Durante as tratativas, uma foto de Renato Gomes, ex-diretor do BC, foi exibida em painéis de LED gerenciados pelo Metrópoles em BrasÃlia, indicando que ele dificultava o negócio. O negócio com o BRB foi barrado pelo Banco Central.
Investigadores suspeitaram que o portal Metrópoles possuÃa informações privilegiadas devido à proximidade com as instituições. Estevão afirmou que as informações jornalÃsticas são sob sigilo de fonte e que painéis de LED exibem reportagens, além de propagandas.
Fonte: UOL