O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, tem sido palco de experiências estressantes para passageiros que desembarcam. Ao deixar a área restrita, especialmente no setor de chegadas internacionais, viajantes enfrentam uma sequência de abordagens insistentes e, por vezes, intimidatórias. Ofertas de táxi, carros de aplicativo, limpeza de calçados, chips de celular, passeios e câmbio de moedas são feitas de maneira agressiva.


A situação se agrava fora da área controlada, onde passageiros são cercados por pessoas não identificadas, muitas vezes vestidas apenas com uma blusa amarela com a inscrição “táxi”. Mesmo após a recusa, os abordadores insistem, prometendo preços vantajosos e direcionando os passageiros para áreas paralelas de atuação, fora das plataformas oficiais e cooperativas credenciadas.
Estrangeiros e Cariocas na Mira
Turistas estrangeiros desavisados são alvos fáceis. Relatos indicam que abordadores se aproveitam da dificuldade de comunicação para direcionar os viajantes para serviços não oficiais. Em algumas situações, passageiros que recusaram ofertas ouviram insultos como “Seu babaca. Viadinho!”. Cariocas também relatam importunação, com a advogada Mariana Bogado descrevendo o local como um “corredor de assédio” e mencionando cobranças abusivas, como US$ 300 para ir de Copacabana.
Serviços e Conflitos no Terminal
Limpadores de tênis também geram incômodo, abordando passageiros de forma invasiva e, em alguns casos, iniciando a limpeza mesmo diante da recusa. Um turista americano relatou ter sido xingado com “Fuck you” após pedir para não ser interrompido. Além das importunações individuais, o clima de tensão inclui discussões acaloradas entre prestadores de serviço disputando clientes, com ameaças e quase agressões físicas.
Câmbio Ilegal e Falta de Fiscalização
A prática de câmbio ilegal de moedas por carregadores de bagagem é visível no saguão, com ofertas de taxas mais vantajosas que as casas de câmbio oficiais. Essas transações ocorrem em Pix e cédulas, desrespeitando normas do Banco Central que exigem identificação e retenção de IOF. A desordem e as ilegalidades ocorrem na presença de agentes da Polícia Militar, Guarda Municipal, Polícia Civil e Federal, além da segurança privada do aeroporto, que, segundo relatos, foca em infrações menores.
Impacto na Imagem do Rio e Respostas Institucionais
Entidades do setor de turismo alertam que o cenário prejudica a imagem do Rio de Janeiro como destino turístico. A RIOGaleão afirma atuar junto aos órgãos públicos para coibir as situações e busca soluções. A futura concessionária, Aena, informou que está planejando a transição. A Polícia Federal investiga o câmbio ilegal, e a Polícia Civil garante a apuração de práticas criminosas. A Secretaria municipal de Transportes (SMTR) ressalta ações para garantir o respeito e a segurança no atendimento de táxis e carros de aplicativo.
Fonte: Infomoney