Fatuma Muhumed celebra sua posse como vereadora no município holandês de Apeldoorn, um marco em sua carreira jurídica e política. Sua eleição, em 15º lugar na lista do partido GroenLinks-PvdA, foi viabilizada pelo voto preferencial, estratégia promovida pela campanha Stem op een Vrouw (Vote para uma Mulher).






Na Holanda, eleitores escolhem não apenas o partido, mas também candidatos específicos em listas partidárias. Tradicionalmente, os primeiros colocados lideram as preferências. No entanto, a campanha Stem op een Vrouw incentiva o voto em mulheres posicionadas mais abaixo na lista, especialmente aquelas próximas da linha de corte para a obtenção de assentos. Essa tática auxiliou Muhumed e outras 503 mulheres a serem eleitas nas recentes eleições.
Subrepresentação Feminina em Níveis Locais
A representação feminina no parlamento holandês alcança 43,3%, superando a média da União Europeia. Contudo, nas eleições municipais, o percentual de mulheres eleitas caiu para 36,9%. Sem o voto preferencial estratégico, esse número seria ainda menor, indicando um desafio persistente para a paridade de gênero na política local.
Apesar do recorde de mulheres eleitas com o apoio da campanha, a paridade de gênero ainda está distante. A variação entre os partidos é notável, com legendas de esquerda apresentando maior número de candidatas e representantes femininas.
Barreiras à Participação Feminina
Pesquisas indicam que a percepção da política como um ambiente predominantemente masculino afeta o interesse das jovens. A falta de modelos femininos visíveis reforça essa ideia, desencorajando a participação. A campanha Stem op een Vrouw busca reverter esse ciclo, oferecendo treinamento e mentoria para candidatas.
A estrutura do trabalho político local, que muitas vezes ocorre em meio período e à noite, pode ser incompatível com as responsabilidades de cuidado familiar, desproporcionalmente assumidas por mulheres. Além disso, dados apontam que mulheres políticas enfrentam níveis mais altos de agressão e insultos, incluindo comentários racistas, o que pode contribuir para que abandonem a carreira política mais cedo.
Muhumed, apesar dos desafios, está determinada a completar seu mandato e a representar minorias e jovens mulheres. Ela reconhece a intensidade do trabalho político, mas está ansiosa para iniciar suas atividades.
Fonte: Dw