Argentina: Congresso aprova reforma de proteção de geleiras para mineração

Congresso argentino aprova reforma na Lei das Geleiras, permitindo redefinição de áreas de proteção para expandir mineração, apesar de protestos ambientais.

O Congresso da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (9) uma iniciativa do presidente Javier Milei que permite às províncias redefinir as áreas de proteção de geleiras para expandir as operações de mineração, apesar da resistência de ambientalistas.

A Câmara dos Deputados deu a aprovação final à reforma da Lei das Geleiras com 137 votos a favor, 111 contra e três abstenções, após quase 12 horas de debate. A reforma já havia sido aprovada pelo Senado em fevereiro.

Milei afirmou que a modificação da lei, em vigor desde 2010, era um passo necessário para atrair investimentos da mineração. “Os ambientalistas determinados a impedir o progresso da República Argentina perderam novamente”, comemorou.

O bloco governante contou com o apoio de aliados de direita e parlamentares de províncias andinas como Mendoza, San Juan, Catamarca e Salta, que concentram a maior parte dos projetos de mineração e onde se localiza grande parte das geleiras do país.

Simultaneamente ao debate, milhares de pessoas participaram de protestos contra a reforma, entoando slogans como “Água vale mais que ouro” e “Tirem as mãos das geleiras”.

Organizações ambientalistas alertaram que a medida agravará a crise climática e anunciaram que irão contestá-la judicialmente.

Segundo um levantamento nacional de 2018, a Argentina possui aproximadamente 17 mil massas de gelo com mais de um hectare, incluindo geleiras e geleiras de detritos. No noroeste do país, onde se concentram os projetos de mineração, essas massas de gelo encolheram 17% na última década, principalmente devido às mudanças climáticas, de acordo com o Ianigla (Instituto Argentino de Pesquisas de Neve e Gelo).

Oposição vê reforma inconstitucional

Os defensores da reforma argumentam que ela esclarecerá os critérios atualmente “imprecisos” relativos às áreas protegidas e devolverá às províncias o poder de decidir sobre seus recursos.

Parlamentares da oposição argumentaram que a reforma é inconstitucional por contradizer tratados internacionais e afirmaram que coloca em risco as reservas hídricas.

A aprovação da reforma representa mais uma vitória parlamentar para Milei, que impôs a desregulamentação trabalhista em fevereiro, apesar dos repetidos protestos nas ruas.

O presidente ultraliberal busca impulsionar a capacidade da Argentina de extrair cobre, lítio, ouro e prata, e frequentemente cita o Chile, país vizinho e maior produtor mundial de cobre, localizado na mesma Cordilheira dos Andes, como exemplo.

Segundo uma projeção do Banco Central, a Argentina poderá triplicar suas exportações de mineração até 2030.

Enrique Viale, presidente da Associação Argentina de Advogados Ambientalistas, disse à AFP que a reforma é “feita sob medida para grandes empresas transnacionais de mineração” e que “coloca em risco o abastecimento de água para 70% dos argentinos”.

Diego Salas, diretor de comunicação do Greenpeace Argentina, afirmou: “A crise climática global é uma realidade que todos os seres humanos que vivem neste planeta estão vivenciando. Atacar as geleiras só agrava a situação”.

Congresso da Argentina aprova reforma de proteção de geleiras.
Congresso da Argentina aprova reforma de proteção de geleiras.
Geleiras na Argentina.
Geleiras na Argentina.

Fonte: UOL

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