Apple: 50 anos de lucro com serviços, mas com lacunas em IA

Apple completa 50 anos como máquina de dinheiro com forte receita de serviços, mas enfrenta desafios em inteligência artificial e inovação disruptiva.

A Apple, fundada por Steve Jobs e Steve Wozniak, consolidou-se como uma gigante tecnológica, evoluindo do icônico Apple II em 1977 para um império financeiro. Atualmente, a empresa gera uma receita expressiva com serviços digitais, que representaram 26% de seus ganhos totais em 2025, totalizando US$ 109,2 bilhões. Essa área de Serviços, que inclui assinaturas de aplicativos, Apple TV+, Apple Music, iCloud, Apple Arcade e Fitness+, tem sido um motor de lucro recorrente para a companhia.

O modelo de negócios da Apple

O sucesso financeiro da Apple nos serviços é explicado pela sua estratégia de monetização. Uma parte significativa da receita vem da comissão de até 30% sobre aplicativos pagos ou com assinatura vendidos na App Store. Além disso, o pacote Apple One, que agrupa diversos serviços, oferece opções de assinatura mensal que vão de R$ 42,90 a R$ 99,90.

Fabro Steibel, presidente-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), destaca que a Apple mantém sua imagem de inovadora através de produtos como o iPhone e o MacBook. Ele ressalta que a empresa soube antecipar o mercado digital com o lançamento do iTunes e que, embora não lidere o setor, possui grande penetração.

Desafios em inteligência artificial

Apesar de sua força em hardware e serviços, a Apple enfrenta desafios no campo da inteligência artificial (IA). Especialistas apontam que a empresa não é uma referência nesse segmento, especialmente após o avanço de tecnologias como o ChatGPT. A inteligência artificial da Apple, integrada ao sistema operacional iOS, oferece funcionalidades como tradução em tempo real e resumo de notificações, mas é considerada menos impactante que as soluções de concorrentes como OpenAI e Google.

Carlos Rafael Gimenes das Neves, professor da ESPM, explica que o foco da Apple em serviços visa contornar a longevidade de seus aparelhos. Ao oferecer receita mensal recorrente, a empresa garante lucros sem depender da troca constante de hardware pelos consumidores.

Inovação e o futuro da Apple

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, sugere que a Apple pode não ter a ambição de liderar em IA com soluções próprias, mas sim através de parcerias estratégicas, como a com o Google para o uso do Gemini na Siri. Essa abordagem permite à Apple manter seus gastos com infraestrutura de IA mais controlados.

Historicamente, a Apple se destacou pela inovação em hardware e design, com produtos transformadores como o iPod, iPhone e iPad. No entanto, nos últimos anos, a empresa tem sido vista mais como uma evoluidora do que uma revolucionária, focando em aprimoramentos incrementais em vez de disrupções radicais. O Apple Vision Pro, por exemplo, não alcançou o sucesso esperado.

Neves acrescenta que a Apple, por possuir uma base de usuários fiel, adota uma postura cautelosa, evitando lançamentos experimentais com falhas. A empresa prioriza a entrega de produtos consolidados e de alta qualidade, mantendo sua reputação de excelência.

Fonte: Estadão

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