O diretor espanhol Pedro Almodóvar afirma que, durante as filmagens, se sente como um pintor, destacando as cores como um elemento essencial em seus filmes. O cineasta, conhecido por obras como “Tudo Sobre Minha Mãe” e “Volver”, compartilhou detalhes de sua filmografia em uma conversa com estudantes em Paris.



Almodóvar celebrou que, desde o início de sua carreira, o cinema representa para ele “uma grande festa”. Ele detalhou que, ao filmar, a sensação é semelhante à de um artista plástico, “pintando com elementos de três dimensões”. As cores, segundo ele, são fundamentais na narrativa cinematográfica.
A influência das cores na obra de Almodóvar
O diretor atribui seu entusiasmo pelas cores vibrantes aos primeiros filmes que assistiu em tecnicolor. Essa paixão também pode ser uma reação ao período de luto vivido por sua mãe durante sua infância e juventude, quando ela era obrigada a usar roupas escuras.
“A explosão das cores em meus filmes é a resposta que minha mãe gerou a uma tradição tão brutal como condenar as pessoas a se vestirem de preto quase a vida toda”, explicou, referindo-se ao costume de usar roupas escuras em sinal de luto em sua região natal.
O resultado são as tonalidades intensas que o auxiliam a retratar os “personagens barrocos e excessivos” presentes em suas histórias, como Leo Macías em “A Flor do Meu Segredo” e Raimunda em “Volver”.
A importância dos atores na narrativa
Almodóvar, que dirigiu cerca de 30 filmes, expressou sua fascinação pelos intérpretes. Ele ressalta que, entre todas as opções narrativas disponíveis na imagem cinematográfica, a escolha recai sempre sobre o ator.
“O ator é quem carrega a mensagem. São os olhos dos atores que você vê, o rosto dos atores, os corpos dos atores”, afirmou, mencionando colaborações com nomes como Carmen Maura, Antonio Banderas, Victoria Abril, Javier Bardem, Tilda Swinton e Julianne Moore.
Explorando a dor e o trauma em seus filmes
O cineasta também abordou as histórias dolorosas e traumáticas que frequentemente permeiam sua filmografia. Ele observa que em seus filmes existem muitos personagens que acompanham outros em momentos de sofrimento.
“Há ocasiões em que acompanhar é o máximo que você pode fazer por uma pessoa”, disse, citando como exemplo “O Quarto ao Lado”, onde duas amigas, uma delas gravemente doente, convivem novamente. “Acho que nunca saberia contar uma história sobre seres absolutamente felizes.”
Fonte: UOL