O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não prorrogar o funcionamento da CPI do Crime Organizado. A decisão foi comunicada ao relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que classificou a medida como um “grande desserviço para a nação”.
Segundo Vieira, Alcolumbre justificou a decisão argumentando que uma prorrogação em ano eleitoral poderia gerar desgastes políticos. A comissão, que investigava fraudes envolvendo o Banco Master, teria seu relatório final apresentado em 14 de abril, sem tempo para aprofundar as investigações.
O relator lamentou a decisão, afirmando que a CPI ainda possuía um volume elevado de documentos e dados a serem analisados. Ele destacou que os trabalhos transcenderam a análise da criminalidade tradicional, evidenciando estruturas criminosas comparáveis a corporações transnacionais.
Alessandro Vieira afirmou que não recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão, embora considere que a posição do STF sobre a competência do presidente do Senado para decidir sobre prorrogações contradiz o regimento e a Constituição. Ele também mencionou que a comissão materializou o envolvimento de determinados ministros com figuras sob investigação.
O pedido de prorrogação por 60 dias havia sido protocolado por Vieira e assinado por 28 senadores, incluindo o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), e o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A CPI foi instaurada em novembro de 2025, inicialmente em resposta à Operação Contenção, mas ampliou seu foco para o caso Banco Master.