Uma parcela significativa dos fundos de investimento mais comercializados pelos bancos apresenta rentabilidade negativa em um horizonte de cinco anos. De acordo com dados da consultora VDOS, produtos com patrimônio superior a 200 milhões de euros falharam em superar seus índices de referência, impactados por taxas de gestão elevadas e pela estratégia de alocação em ativos de renda fixa.
O impacto das taxas e da política monetária
O desempenho abaixo do esperado está atrelado a custos de comercialização e administração que corroem os ganhos dos investidores. Além disso, a mudança na Política monetária do Banco Central Europeu, que encerrou o ciclo de juros zero, penalizou títulos de dívida pública de longo prazo. Como os preços dos ativos se movem de forma inversa aos juros, a valorização das carteiras sofreu impacto direto.
Casos emblemáticos no mercado
O fundo Sabadell Bonos Euro acumula perdas próximas a 11% desde abril de 2021, com custos totais de 1,31% ao ano, superando a média de despesas da categoria. Situação semelhante ocorre com veículos de investimento do CaixaBank e do Santander, que registraram desvalorizações expressivas no mesmo período. Tais produtos são frequentemente utilizados em estratégias de gestão discricionária.
Regulação e transparência
A União Europeia desenvolve uma nova legislação focada no conceito de “valor pelo dinheiro”, visando garantir que os custos dos produtos financeiros sejam proporcionais aos benefícios oferecidos. Especialistas reforçam que o investidor deve analisar o histórico de taxas e buscar aconselhamento independente para evitar o custo de oportunidade de produtos com binômio risco-retorno desfavorável.

Fonte: Cincodias