O Vietnã vive uma mudança significativa em sua estrutura de governança com a ascensão de To Lam, líder do Partido Comunista, ao cargo de presidente. A decisão, aprovada pela Assembleia Nacional, rompe com a tradição histórica de liderança coletiva conhecida como o sistema dos quatro pilares, que buscava equilibrar o poder entre o chefe do partido, o presidente, o primeiro-ministro e o legislativo.

Mudança no equilíbrio de poder
Analistas apontam que a centralização de funções aproxima o sistema político vietnamita do modelo chinês, dominado pelo presidente Xi Jinping. Embora o país nunca tenha adotado uma separação de poderes nos moldes democráticos, o sistema anterior funcionava como um mecanismo de freios e contrapesos internos. Com a acumulação de cargos, To Lam ganha agilidade para implementar reformas, mas especialistas alertam para o risco de redução na diversidade de opiniões dentro do partido.
Tecnologia e vigilância estatal
Sob a gestão de To Lam, o governo vietnamita demonstra interesse crescente em ferramentas de vigilância e controle social similares às utilizadas na China. O país planeja implementar redes de câmeras com inteligência artificial e sistemas nacionais de identificação eletrônica. Além disso, há planos para a criação de bases de dados estatais, um movimento que, segundo observadores, reflete a estratégia de controle centralizado de informações adotada por Pequim, impactando o setor de tecnologia.
Relações diplomáticas e ideológicas
Em sua primeira viagem oficial como presidente, To Lam visitou a China, reforçando os laços entre os dois países, que se definem como camaradas e irmãos. Durante o encontro, Xi Jinping enfatizou a solidariedade ideológica e a coordenação estratégica na defesa do socialismo. A cooperação na área de segurança também foi ampliada, com reuniões entre autoridades de alto escalão de ambos os países para fortalecer o controle político institucional.
Apesar das semelhanças crescentes, especialistas observam que o Vietnã ainda mantém distinções importantes em relação ao modelo chinês. O país não apresenta, até o momento, o mesmo nível de repressão totalitária ou o culto à personalidade observado sob a liderança de Xi Jinping. O futuro político do Vietnã dependerá de como To Lam exercerá suas novas prerrogativas e se o país manterá o pragmatismo ou avançará para um estado de segurança mais rígido.
Fonte: Dw