As stablecoins, ativos digitais com paridade em divisas como o dólar, consolidam-se no mercado brasileiro além do ambiente de negociação especulativa. Esses instrumentos financeiros ampliam sua presença em operações de comércio exterior, turismo e gestão de caixa, impulsionadas pela busca por eficiência e redução de custos operacionais.
O avanço das operações corporativas
O perfil da demanda por esses ativos mudou significativamente, com foco crescente no segmento entre empresas. Provedores de infraestrutura de câmbio via blockchain relatam que bancos e corretoras utilizam a tecnologia para otimizar transferências internacionais. A ausência de incidência de IOF em comparação aos meios tradicionais de câmbio é apontada como um diferencial competitivo para o setor.
A agilidade nas transações e a menor intermediação bancária permitem que empresas realizem pagamentos transfronteiriços com maior rapidez. Para avaliar a viabilidade estratégica, gestores analisam o Custo Efetivo Total em suas operações de crédito e câmbio.
Crescimento no mercado regional
Dados da gestora Iporanga Ventures indicam que o volume transacionado por tokens atrelados a moedas locais na América Latina atingiu US$ 4,8 bilhões em 2025, com projeção de superar US$ 6 bilhões. A participação institucional no volume total saltou de 5% em 2024 para 84% no ano seguinte, refletindo a maturidade do uso corporativo.
Empresas como a TCR Finance e a Jeeves destacam que o uso de stablecoins atende a demandas como a escassez de moeda forte em países vizinhos e a necessidade de fluxos de tesouraria globais. O ativo atua tanto como meio de pagamento quanto como reserva de valor para companhias com operações multigeográficas.
Infraestrutura e regulação
O ecossistema brasileiro conta atualmente com mais de 50 corretoras digitais e cerca de 20 emissoras de stablecoins. A emissão desses ativos aproxima as empresas de funções típicas de instituições de pagamento, consolidando a tecnologia como uma nova rota para o envio de recursos internacionais.
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Fonte: Globo