O advogado Daniel Monteiro, apontado como principal articulador jurídico do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal no decorrer da quarta fase da Operação Compliance Zero. As investigações indicam que o profissional atuou como operador técnico em um esquema de pagamentos ilícitos destinados ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, também detido pela ação.
Esquema de propinas e lavagem de capitais
Conforme documentos da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, Monteiro teria estruturado o repasse de R$ 140 milhões em vantagens indevidas. O arranjo envolvia a transferência de seis imóveis de alto padrão, avaliados em R$ 146 milhões. A apuração da PF sugere que o advogado obteve proveito econômico pessoal de pelo menos R$ 86 milhões com a operação.
Para ocultar a origem dos ativos e a titularidade real dos bens, a investigação aponta o uso de fundos de Investimento geridos pela Reag, além de empresas de fachada registradas em nomes de terceiros. A estrutura permitia a movimentação de recursos e a tentativa de dissimulação dos fluxos financeiros.
Interferências no Banco Master
Monteiro é identificado como o responsável pela elaboração do contrato de venda do Banco Master à Fictor, anunciado em novembro de 2025. O negócio, que contava com a promessa de aporte de investidores dos Emirados Árabes, falhou pouco tempo após a divulgação, resultando na liquidação da instituição e na prisão de Vorcaro. O advogado possuía, segundo o inquérito, presença constante na sede do banco, com espaço próprio na estrutura da instituição.
Defesa e histórico profissional
Com trajetória voltada ao direito societário e bancário, Monteiro foi homenageado na Assembleia Legislativa da Bahia em dezembro de 2024, recebendo o título de Cidadão Baiano. A defesa do advogado, representada por Dora Cavalcanti, sustenta que o investigado atuou estritamente em funções técnicas de consultoria e nega qualquer envolvimento em atividades ilícitas, colocando-se à disposição para colaborar com a Justiça.
Fonte: Estadão