Nícolas Mérola, analista da EQI Research, considera o momento atual desfavorável para a Política monetária no Brasil, especialmente no contexto de cortes de juros. Ele aponta que a volatilidade nos mercados é intensificada por eventos geopolíticos globais, como o conflito no Oriente Médio e as movimentações no Estreito de Ormuz, fatores que impactam diretamente as taxas de inflação.
Mérola explica que, enquanto as principais economias desenvolvidas já iniciaram ciclos de corte de juros, o Brasil o faz em um cenário de maior pressão. A persistência do conflito e a alta do petróleo podem gerar disrupções significativas se não forem precificadas corretamente pelo mercado.
A Agência Internacional de Energia revisou suas projeções, antecipando uma contração na demanda global de petróleo em 2026. Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a normalização das exportações levaria cerca de dois meses.
A temporada de balanços do primeiro trimestre nos Estados Unidos, com resultados de grandes instituições financeiras como JP Morgan e Wells Fargo, contribui para um clima positivo nos mercados. Paralelamente, o dólar atingiu seu menor patamar em dois anos em relação ao real, abaixo de R$ 5.
O especialista observa que a queda do dólar em relação a economias emergentes precede o Conflito atual e reflete uma desconcentração do investidor americano, que busca maior diversificação em outras economias. Esse fluxo tem beneficiado o Brasil, mesmo diante das incertezas globais.
Fonte: Moneytimes