O custo de vida na espanha aumentou para 3,4% em março, superando as previsões iniciais. O conflito na Ucrânia elevou os preços dos combustíveis, impactando diretamente os valores nas bombas de gasolina. Este índice representa o nível mais alto registrado desde junho de 2024, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estadística (INE).

Embora a inflação já apresentasse uma tendência de alta para a primavera, o cenário de guerra intensificou o aumento dos preços da gasolina e do diesel. A aceleração em março foi a maior desde junho de 2022. Uma medida de redução de impostos sobre combustíveis, implementada pelo governo em 22 de março, buscou amenizar o impacto, mas seu efeito foi limitado a apenas 10 dias do mês.
O governo estima que a redução de impostos poderá subtrair entre oito décimas e um ponto percentual da Inflação nos meses de abril, maio e junho. A justificativa oficial é que o plano foi concebido para impedir que o choque externo da guerra se transfira permanentemente para a inflação ou para o poder de compra da população.
Para Ángel Talavera, economista-chefe para a Europa da Oxford Economics, o risco de novas escaladas de preços foi atenuado no curto prazo. No entanto, ele adverte que o pico inflacionário pode ainda não ter sido atingido. “As medidas devem ajudar a manter a inflação nesses níveis nos próximos meses, mas se os preços da energia não se normalizarem em breve, terão que ser estendidas por mais de três meses ou veremos um repique da inflação a partir de julho”, pondera.
A diferença entre a alta da gasolina (4,8%) e do diesel (17,9%) foi notória. A maior dependência europeia de importações de diesel, em contraste com a capacidade de refino de gasolina, explica essa disparidade. Apesar do avanço das energias renováveis, as tarifas de eletricidade subiram 4,3% em relação ao ano anterior.
Por outro lado, os preços de alimentos e bebidas não alcoólicas apresentaram uma moderação, caindo de 3,2% para 2,7% em março, após seis meses de aumentos consecutivos. Essa desaceleração sugere, por enquanto, que não há um contágio generalizado para a cesta básica, embora persistam tensões em itens específicos como ovos e leguminosas. O preço dos ovos, por exemplo, subiu 21,2%, e o de leguminosas, 19,6%.
Em termos mensais, os preços gerais subiram 1,2%. A inflação subjacente, que exclui os preços de energia e alimentos não processados, ficou em 2,9%, duas décimas acima do dado de fevereiro e do avanço inicial divulgado pelo INE.
Inflação espanhola supera a média europeia
A Espanha tem registrado uma taxa de inflação superior à média da zona do euro. Em março, os preços na zona do euro subiram para 2,5%, um aumento de seis décimas em relação a fevereiro, e um valor consideravelmente inferior ao avanço do IPC espanhol. Essa diferença prejudica a competitividade das empresas espanholas no cenário internacional.
O Banco de Espanha projeta que, em um cenário pessimista, com a guerra prolongada e a disparada dos preços energéticos, a inflação poderia atingir 5,9% este ano e permanecer em 3,2% no próximo. No entanto, negociações de paz recentes têm gerado otimismo nos mercados financeiros, com o S&P 500 superando os níveis pré-guerra e o barril de Brent operando abaixo de 100 dólares, o que indica expectativas de um acordo próximo, apesar da persistente incerteza.
Fonte: Elpais