Homem é condenado na Alemanha por crimes sexuais em grupo de Telegram

Homem condenado a 11 anos na Alemanha por crimes sexuais em grupo de Telegram. Vítimas eram sedadas e abusadas. Investigação expõe rede misógina.

Um homem de 28 anos, estudante chinês, foi considerado culpado de duas tentativas de homicídio e sete de estupro qualificado, sendo sentenciado a 11 anos e três meses de prisão em Munique. O juiz descreveu os atos como “monstruosos” e “território legal inexplorado”.

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O caso, que remete a abusos de longa data na França, envolve acusações de que o réu administrou sedativos e anestésicos em doses potencialmente letais em sua vizinha, em pelo menos sete ocasiões entre fevereiro e dezembro de 2024.

O julgamento faz parte de uma investigação mais ampla sobre oito homens, a maioria chineses e residentes na Alemanha, que integravam um grupo de chat no Telegram denominado “Escola de Condução Alemã”. As vítimas identificadas eram predominantemente mulheres chinesas, muitas vezes parceiras, colegas ou conhecidas dos acusados, que só tomaram conhecimento dos crimes após contato policial.

No grupo, os membros utilizavam códigos para discutir o uso de medicamentos sedativos, as dosagens e os atos cometidos contra as mulheres inconscientes, compartilhando fotos e gravações. Termos como “procurando carro” referiam-se à busca por novas vítimas, “óleo” ou “combustível” eram códigos para sedativos, e mulheres sedadas eram chamadas de “porcos mortos”.

Dapeng Z*, apontado como líder do grupo, foi o primeiro a ser preso após denúncias de vítimas em Hesse. Ele misturou sedativos na comida de uma amiga, a estuprou e registrou os crimes. Posteriormente, drogou e estuprou várias colegas de trabalho.

Outro membro, Tong Z*, estudante de Berlim, foi condenado por estupro em agosto de 2025, após drogar e filmar uma mulher durante um encontro. Ele também gravou outras oito mulheres secretamente em banheiros.

As atividades do grupo vieram à tona quando Dapeng Z* começou a visar mulheres que buscavam alugar apartamentos em janeiro de 2024. Ele as sedava com panos embebidos em anestésico durante as visitas, as estuprava e documentava os ataques. Quatro vítimas lembraram dos ocorridos e denunciaram à polícia, levando à sua prisão em novembro de 2024.

Abuso misógino impulsionado por grupos online

A psicóloga Charlotte Hirz, do centro LARA em Berlim, destacou a “desumanização” dos perpetradores em relação às vítimas, comparando-as a carros ou “porcos mortos”. Segundo ela, grupos online como o do Telegram reforçam a desumanização e fantasias misóginas.

Hirz explicou que a ausência de “correção social” ou de vozes externas questionando o comportamento pode permitir que fantasias violentas ganhem mais força.

A equipe de reportagem investigativa STRG_F, da emissora pública alemã NDR, expôs redes semelhantes no Telegram, com grupos discutindo como drogar e estuprar mulheres, além de compartilhar gravações dos crimes. Alguns usuários defendiam que “não é estupro se ela não souber que aconteceu”. Lojas online chegavam a divulgar links para drogas de estupro e substâncias sedativas nos chats.

A posse e visualização de agressões sexuais reais não são crimes na alemanha, assim como a mera participação em grupos de compartilhamento desse material. A Ministra da Justiça, Stefanie Hubig, propõe tornar a distribuição dessas imagens um crime como parte de reformas.

As leis de estupro na Alemanha têm sido alvo de escrutínio após protestos relacionados a alegações de uma personalidade de TV contra seu ex-marido, um ator, que teria distribuído imagens pornográficas geradas por IA e criado contas falsas em redes sociais. O ator nega as acusações.

Durante a sentença de Zhongyi J*, o juiz afirmou que o caso “não é um fenômeno chinês ou francês, mas também alemão. Um fenômeno global”. Ele considerou o réu “sortudo” por não ter recebido prisão perpétua, citando seu remorso, confissão parcial, juventude e um processo de mediação vítima-ofensor.

O Telegram respondeu à DW afirmando que conteúdo que incentiva violência sexual é proibido e removido. A plataforma utiliza moderação com IA para monitorar e banir contas que violam seus termos de serviço.

O site lila.help oferece contatos de linhas de apoio e ONGs para vítimas de violência de gênero em diversos países.

Fonte: Dw

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