A política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem impactado o agronegócio do país, resultando em um déficit comercial e aumento da inflação no setor. A recente escalada de tensões com o Irã agrava a situação, especialmente para os produtores americanos que necessitam plantar em abril e maio, período em que os insumos atingem preços elevados devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.
A guerra com o Irã adiciona pressão sobre os produtores americanos que precisam plantar na primavera. Em contraste, embora os produtores brasileiros também enfrentem aumento de custos, a tendência é de consolidação do espaço no comércio global, anteriormente ocupado pelos EUA.
Essa mudança de cenário global para o agronegócio brasileiro se intensificou nos últimos anos. Com o acirramento das tensões geopoliticas, a China buscou alternativas aos EUA, e o Brasil conseguiu suprir essa demanda. O encarecimento dos custos americanos também impulsionou produtos brasileiros em mercados como o Oriente Médio e a Ásia.
O Brasil tem expandido suas exportações de carne e milho para o Sudeste Asiático. O país norte-americano registrou o menor rebanho bovino desde 1951, levando o Brasil a superar os EUA como maior produtor mundial de carne bovina em 2025. No ano passado, o agro brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões, enquanto os EUA venderam US$ 171,3 bilhões, uma diferença mínima que demonstra a proximidade dos dois países no mercado global.
Agricultura americana menos rentável
A política econômica de Trump tornou a agricultura americana menos rentável e dominante. A renda líquida das fazendas dos eua, que era de US$ 186 bilhões em 2022, deve cair para US$ 153,4 bilhões. Grande parte desse resultado é sustentada por subsídios governamentais, que representam quase 30% dos ganhos dos fazendeiros.
Os custos de produção nos EUA atingiram níveis recordes, com alta de 33% em relação ao primeiro mandato de Trump. O aumento dos juros, impulsionado pela inflação gerada pelas tarifas, contribuiu para a redução da lucratividade do setor. Como resultado, o agronegócio americano, que por décadas manteve superávit comercial, registrou um déficit de US$ 50 bilhões sob a gestão Trump.
O Brasil tem sido o principal beneficiado por essa reconfiguração do agronegócio americano, seguido por Argentina, Rússia e outros países. O Brasil, por exemplo, responde por 70% das importações de soja da China e cerca de 50% do milho.
Impactos da guerra no Irã
Guerras geram encarecimento de custos e volatilidade para o setor agrícola. Atualmente, o impacto está restrito ao preço de combustíveis e transporte. No entanto, se o conflito com o Irã se prolongar, os efeitos podem ser mais graves, especialmente na disponibilidade de fertilizantes.
O preço do petróleo tende a se normalizar mais rapidamente que o dos fertilizantes. Especialistas preveem que, mesmo com o fim rápido do conflito, a normalização da logística global levará semanas, e as transações, meses, afetando todos os envolvidos por algum tempo.
Fonte: Estadão