A Oncoclínicas (ONCO3) protocolou uma ação de Tutela Cautelar em caráter antecedente na Justiça de São Paulo. O objetivo da empresa é suspender liminarmente os efeitos de cláusulas contratuais que preveem o vencimento antecipado de dívidas e a exigibilidade de obrigações financeiras junto aos seus credores.
Com a medida, a companhia busca criar um ambiente administrativo e financeiro mais estável para negociar com seus credores, sem que isso paralise suas atividades. A empresa justifica a ação citando um cenário macroeconômico e setorial desafiador, além de dificuldades financeiras originadas por uma expansão considerada mal-sucedida.
A Oncoclínicas assegura que suas operações seguem normalmente e que está empenhada em manter conversas construtivas com os credores visando um acordo benéfico para todos os investidores.
Situação financeira da Oncoclínicas
No quarto trimestre de 2025, a Oncoclínicas registrou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão, um aumento significativo em relação aos R$ 759 milhões apurados no mesmo período de 2024. O Ebitda ajustado da companhia apresentou uma queda de 24%, atingindo R$ 238,8 milhões.
A receita líquida no 4T25 também sofreu uma retração de 12,6% em comparação com o ano anterior, totalizando R$ 1,37 bilhão. Analistas indicaram que esses resultados ficaram abaixo das expectativas, influenciados pela redução de volumes advinda de uma estratégia para diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade.
Impacto dos covenants financeiros
Os auditores independentes da Oncoclínicas apontaram um capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões. Parte dessa situação deve-se ao descumprimento de covenants financeiros em contratos de financiamento. Covenants são cláusulas contratuais que estabelecem níveis saudáveis de desempenho financeiro para a empresa, servindo como proteção para os credores.
A Oncoclínicas já vinha demonstrando dificuldades em cumprir os covenants, tendo convocado assembleias para solicitar dispensa em relação ao não cumprimento do índice de alavancagem. Embora parte dos credores tenha concedido essa dispensa, outros ainda estão em negociação, especialmente no que diz respeito a debêntures com maior pulverização de detentores.
Atualmente, o índice de alavancagem da empresa está em 4,3 vezes, excedendo os limites pré-estabelecidos. Essa situação levou à reclassificação de parte da dívida de longo prazo para o curto prazo, gerando dúvidas sobre a continuidade operacional da companhia, conforme análise do JP Morgan.
Histórico da expansão e reestruturação
Fundada há 15 anos com foco em tratamentos oncológicos, a Oncoclínicas expandiu seu escopo após o IPO em 2021. A empresa passou a incluir a aquisição de hospitais gerais em sua estratégia, porém, essa abordagem não alcançou o sucesso esperado devido à falta de expertise gerencial em áreas hospitalares fora da oncologia.
Consequentemente, a companhia enfrenta uma deterioração em seus resultados, aumento na alavancagem e um elevado consumo de caixa. As medidas de reestruturação em andamento incluem a venda de hospitais já adquiridos e o cancelamento de outros projetos em construção. Além disso, a empresa desistiu de planos para uma joint venture na Arábia Saudita.
Fonte: Moneytimes