O procurador de Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa foi reeleito para chefiar o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Com 1305 votos, ele superou o procurador Marco Antônio Ferreira Lima, que obteve 456 votos. A recondução de Costa ao cargo, no entanto, depende da escolha do governador Tarcísio de Freitas, que tem a prerrogativa de nomear qualquer candidato, independentemente da ordem de votação.
A eleição ocorreu em um clima de tranquilidade, contrastando com disputas anteriores que marcaram a instituição nas décadas de 1990 e 2000. O MP paulista conta com 2076 promotores e procuradores. A votação foi realizada de forma eletrônica e esteve aberta das 9h às 17h.
Aliados de Paulo Sérgio Costa consideram sua permanência no cargo por mais dois anos como certa. Durante seu primeiro mandato, o procurador estabeleceu uma relação de confiança com o governador, especialmente em pautas de interesse mútuo. Ele impulsionou a atuação do MP no Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos no Estado de São Paulo (Cira-SP), iniciativa que visa combater a sonegação fiscal. Em 2024, foram recuperados R$ 4 bilhões em tributos sonegados, envolvendo 232 empresas e 90 grupos econômicos.
O procurador-geral também atuou em investigações sobre um esquema de corrupção na Fazenda do Estado, onde cerca de 40 auditores fiscais são suspeitos de integrar um esquema de ‘fura-fila’ de ICMS, que beneficiava grandes empresas com agilização de restituições de créditos tributários.
Caso seja reconduzido por Tarcísio de Freitas, Paulo Sérgio planeja fortalecer as promotorias dedicadas ao combate ao crime organizado, com foco em desarticular facções violentas. Ele ressaltou a importância de “seguir o dinheiro das facções, atingir o patrimônio, desorganizar o domínio territorial”.
O procurador critica a “contaminação política” que pode engavetar propostas contra a criminalidade, defendendo que o tema da segurança pública esteja acima de questões partidárias. Ele alerta para o avanço do crime organizado na máquina pública e defende que a investigação “mire no andar de cima”. Paulo Sérgio afirmou que ameaças de facções a promotores não farão o MP recuar em sua missão constitucional.
Fonte: Estadão