A empresa de saneamento Aegea divulgou uma reapresentação de seus dados financeiros referentes a 2024, que resultou em uma baixa contábil de R$ 5 bilhões. A companhia, pressionada pelo mercado financeiro, enviou as informações com atraso e sem o detalhamento do quarto trimestre.

Em 2025, a Aegea registrou lucro líquido de R$ 856 milhões, uma queda de 31% em relação ao ano anterior. A receita líquida subiu 21%, alcançando R$ 18,3 bilhões, enquanto os investimentos (capex) aumentaram 35%, chegando a R$ 7,3 bilhões. A dívida líquida cresceu 37%, totalizando R$ 47 bilhões, com alavancagem de 4,51 vezes o Ebitda.
Os resultados refletem o desempenho consolidado do ecossistema Aegea, incluindo empresas como Corsan e Águas do Rio. A baixa contábil no patrimônio líquido, que caiu de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,3 bilhões, não representa perda de caixa, mas sim uma reavaliação de ativos e investimentos, como os da Águas do Rio.
Segundo a empresa, os ajustes visam maior alinhamento entre os resultados reportados e a geração de caixa, sem impacto na liquidez ou no cumprimento de covenants financeiros. As revisões incluem reconhecimento de receita, provisão para perdas de crédito e capitalização de juros.
O atraso na divulgação e a perspectiva de reavaliação dos dados levaram agências de rating a rebaixar a nota de crédito da Aegea, citando fragilidade nos controles internos e piora na transparência das informações financeiras.
A reapresentação dos dados ocorre em um momento crucial para a Aegea, que planeja uma oferta inicial de ações (IPO) entre o fim de 2026 e 2027 e é uma das interessadas na privatização da Copasa, estatal de saneamento de Minas Gerais.
Fonte: UOL