Os Correios apresentaram um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões referente ao ano de 2025. Este resultado marca o 14º trimestre consecutivo de perdas para a empresa, com a série negativa se estendendo desde o quarto trimestre de 2022.
O montante de R$ 8,5 bilhões inclui R$ 6,4 bilhões destinados ao pagamento de precatórios, que são dívidas determinadas pela Justiça. Este valor representa mais do que o triplo do prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões.
O prejuízo acumulado no primeiro semestre de 2025 já somava R$ 4,36 bilhões, evidenciando a dificuldade financeira da estatal.
Empréstimo de R$ 12 bilhões para cobrir despesas
No final de 2025, os Correios obtiveram um empréstimo de R$ 12 bilhões, com a maior parte dos recursos sendo liberada em dezembro. No entanto, o crédito foi essencialmente direcionado para despesas emergenciais, impactando minimamente o resultado financeiro geral da empresa.
O contrato de empréstimo foi firmado com um consórcio de bancos formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, com a garantia do Tesouro Nacional. O Banco do Brasil, a Caixa e o Bradesco aportaram R$ 3 bilhões individualmente, enquanto Itaú e Santander contribuíram com R$ 1,5 bilhão cada.
Adicionalmente, em fevereiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a captação de um novo empréstimo com garantias da União, no valor de R$ 8 bilhões, com previsão de definição para o segundo semestre.
Fatores que explicam o resultado financeiro
O aumento expressivo nas despesas em 2025 foi impulsionado principalmente pelo pagamento de precatórios, que totalizaram R$ 6,4 bilhões, um crescimento de 55,1% em relação a 2024. Parte dessas dívidas, R$ 2,63 bilhões, refere-se a obrigações herdadas de gestões anteriores.
A receita bruta da empresa em 2025 atingiu R$ 17,3 bilhões, uma redução de 11,35% em comparação com o ano anterior. A queda foi majoritariamente causada pela diminuição de 66% no transporte de encomendas internacionais, devido a mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor.
Os Correios também provisionaram R$ 2,63 bilhões para cobrir potenciais perdas em ações trabalhistas relacionadas ao adicional de atividade de distribuição e coleta externa (AADC) e ao adicional de periculosidade.
Plano de Demissão Voluntária (PDV)
Entre fevereiro e abril de 2026, 3.181 funcionários aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), com a expectativa de redução de gastos com pessoal em cerca de 40%. Este programa faz parte de um conjunto de medidas para equilibrar as contas da estatal.
Considerando os PDVs de 2024 e 2025, o total de adesões chega a 3.756 empregados, com uma economia estimada em R$ 147,1 milhões em 2025 e uma projeção de R$ 775,7 milhões para 2026. A empresa planeja lançar um novo PDV para alcançar metas de economia adicionais.