Exército: Soldados denunciam violência e abuso sexual em quartel de Maceió

Soldados denunciam violência e abuso sexual em quartel do Exército em Maceió. Casos de agressão e ato libidinoso levaram a sanções disciplinares e investigação.

Dois soldados do Exército denunciaram episódios de violência e abuso sexual dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Maceió, Alagoas. As representações foram protocoladas no Ministério Público Militar e no Ministério Público Federal.

Os relatos descrevem dois episódios distintos, ocorridos em junho e setembro de 2025, ambos dentro da unidade militar. Em um deles, um soldado afirma ter sido levado à força para uma câmara fria, onde foi despido e deixado exposto ao frio, além de ter sido agredido por outros militares.

No segundo caso, um soldado diz ter sido alvo de um ato libidinoso enquanto dormia no alojamento. Segundo a denúncia, um colega expôs o órgão genital e encostou no rosto da vítima, enquanto outro militar filmava a ação. O vídeo, de acordo com o relato, circulou entre integrantes da unidade.

Apuração e Sanções

O comando do batalhão informou que, ao tomar conhecimento dos fatos, determinou a abertura de procedimento administrativo para apurar as circunstâncias e responsabilidades. A apuração resultou em cinco militares sancionados disciplinarmente com prisão e licenciados do serviço ativo.

No outro caso, os dois militares envolvidos foram desincorporados das fileiras do Exército, respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa. O Batalhão Hermes Ernesto da Fonseca reafirmou seu compromisso com a formação dos cidadãos incorporados, pautando-se pelo respeito à dignidade humana e pela observância da legislação vigente.

Investigação do MPF

O Ministério Público Federal afirmou ter recebido as denúncias e as distribuiu internamente para análise. O Ministério Público Militar não respondeu às solicitações de informação.

Relatos Detalhados das Vítimas

Um dos casos envolve o soldado Pablo Vince Pereira Silva, 20. Ele relatou que, enquanto dormia, um soldado passou o pênis ereto em seu rosto, e outro gravou a ação dentro da unidade, compartilhando o vídeo com outros soldados. Segundo ele, só soube do ocorrido no dia seguinte, após ser informado por colegas.

Silva afirma que procurou a instituição após tomar conhecimento do episódio, o que levou à abertura de uma apuração interna. Ele alega que a situação foi taxada como brincadeira contra ele, a vítima, e que sofreu pressão para não buscar advogado. Foi afastado, mesmo em tratamento psicológico e psiquiátrico, enquanto os outros militares permaneceram em suas funções.

As defesas das vítimas são conduzidas por advogados que pedem a abertura de um Inquérito Policial Militar para apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos. Segundo um dos advogados, os soldados apresentam problemas psicológicos gravíssimos após os episódios e foram afastados de suas funções.

Soldados do Exército Brasileiro em treinamento.
Militares em treinamento no 59º Batalhão de Infantaria Motorizado em Maceió.
Quartel do Exército em Maceió.
Instalações do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado em Maceió.

Fonte: UOL

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