A Casa Branca emitiu um alerta a seus funcionários no mês passado sobre o uso de informações privilegiadas relacionadas à guerra com o Irã para realizar apostas nos mercados financeiros. A diretriz foi enviada por e-mail em 24 de março, em meio a ameaças do presidente Donald Trump de bombardear infraestrutura civil no país.


O comunicado surgiu após um aumento em negociações suspeitas em mercados de previsão, futuros de Petróleo e ações ligadas a momentos cruciais do conflito. Trump adiou o prazo para o Irã reabrir o estreito de Ormuz em 23 de março, o que causou picos nas negociações globais. Minutos antes do anúncio, um grupo seleto de operadores comprou cerca de US$ 580 milhões em futuros de petróleo, posicionando-se para lucros expressivos com o subsequente aumento de valor.
Críticos acusaram Trump de usar sua posição de poder para manipular os mercados com suas ações e declarações. O presidente, por vezes, pareceu recuar de ameaças em resposta à queda dos mercados, uma tendência apelidada de TACO — Trump Always Chickens Out.
Trump também possui vínculos com a indústria de mercados de previsão. Seu filho, Donald Trump Jr., é consultor de plataformas como a Kalshi e a Polymarket, e a empresa de mídia social da família Trump anunciou planos para um serviço de mercado de previsão no ano passado.
Davis Ingle, porta-voz da Casa Branca, negou que Donald Trump ou qualquer funcionário do governo tenha utilizado informações não públicas para benefício financeiro. Ele afirmou que todos os funcionários federais estão sujeitos às diretrizes de ética do governo que proíbem o uso de informações não públicas para benefício financeiro, considerando infundada qualquer insinuação de envolvimento sem evidências.
As leis de insider trading criminalizam o lucro de formuladores de políticas públicas com negociações privilegiadas, mas existem brechas significativas. Funcionários públicos não são explicitamente proibidos de apostar em mercados de previsão, que envolvem apostar na ocorrência de eventos futuros. Algumas apostas previram eventos mundiais, incluindo a possibilidade de guerra nuclear.
A Polymarket, um dos maiores mercados de previsão, removeu um mercado que negociava a probabilidade de uma detonação nuclear, após escrutínio público. Legisladores pressionam por legislação que proibiria qualquer funcionário público de fazer tais apostas usando informações privilegiadas obtidas em suas funções, com multas de até US$ 500 ou o dobro do lucro obtido na aposta por violações.
Fonte: UOL