Investigações internas do Banco Central (BC) e da Polícia Federal (PF) apontam que dois ex-dirigentes da autoridade monetária, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, teriam recebido milhões de reais em propina do Banco Master. Paulo Sérgio, ex-diretor de Fiscalização, teria recebido cerca de R$ 8 milhões, enquanto Belline, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), teria recebido pelo menos R$ 4 milhões.
Segundo as apurações, os dois servidores teriam atuado em favor do Banco Master dentro do BC, sendo cooptados pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A PF alega que eles recebiam uma “mesada” para atuar como consultores informais da instituição financeira.
A defesa de Paulo Sérgio nega o recebimento de vantagens indevidas e afirma que a venda de um sítio foi realizada a valor de mercado, sem favorecimento ao banco. A defesa de Belline Santana também refuta as acusações, declarando que não houve favorecimento a nenhuma instituição financeira e que o exercício de suas funções foi regular.
Investigações apontam simulação de negócios
As investigações do BC indicam que Paulo Sérgio teria simulado a venda de um sítio para um fundo ligado a Vorcaro. Já Belline Santana teria criado uma empresa para oferecer serviços de capacitação para jovens carentes, com a empresa registrada em seu endereço residencial e um telefone genérico. A sindicância do BC considerou os materiais entregues como compilados de conteúdos existentes, sem produção autoral relevante, e apontou que os contratos não justificavam os valores milionários recebidos.
Em depoimento, Belline relatou ter recebido R$ 2 milhões inicialmente de Leonardo Palhares, apontado como operador de Vorcaro, e que o total recebido chegou a R$ 4 milhões. A estrutura da empresa contratante, Varajo Consultoria, com capital social de R$ 10 mil e operando em coworking, foi considerada incompatível com os contratos de alto valor.
Processos administrativos e afastamento de funções
A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processos administrativos disciplinares contra ambos os ex-servidores para avaliar a expulsão do serviço público. O BC aponta indícios de enriquecimento ilícito, corrupção e improbidade administrativa.
A defesa de Paulo Sérgio alega ter acesso limitado aos autos do processo e se diz convicta de que provará a atuação em prol da regulação bancária. Paralelamente, a Polícia Federal conduz sua investigação, e Belline Santana já foi alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento de funções e monitoramento eletrônico.