Jorge Messias: Oposição explora proximidade com Lula e caso Master na sabatina do STF

Oposição no Senado prepara ofensiva na sabatina de Jorge Messias ao STF, focando em sua proximidade com Lula, o caso ‘Bessias’ e investigações do Banco Master.
Advogado-geral da União, Jorge Messias, durante coletiva de imprensa 1º de julho de 2025 REUTERS/Adriano Machado

A sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), agendada para o dia 29, promete ser um palco de intensa disputa política no Senado. A oposição planeja uma ofensiva focada em três eixos principais: sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, episódios de sua carreira, como o apelido “Bessias”, e o andamento das investigações envolvendo o Banco Master.

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O objetivo da oposição não se limitará à análise do currículo jurídico do indicado, mas também testará sua independência e atuação institucional, aspectos cruciais para o cargo que ocupará na Corte.

Histórico político e o apelido “Bessias”

Um dos pontos a serem resgatados durante a sabatina é a menção de Messias em uma conversa interceptada pela Polícia Federal em 2016, durante a Operação Lava-Jato. Na ocasião, Dilma Rousseff mencionou o envio de um documento por meio de “Bessias”, apelido que passou a ser associado ao atual chefe da AGU. Este episódio ganhou notoriedade e foi amplamente explorado no debate político e jurídico sobre a tentativa de nomeação de Lula para a Casa Civil.

Interlocutores da oposição indicam que a estratégia será utilizar esse caso para reforçar a tese de que Messias construiu sua carreira mais no âmbito político do que técnico.

Proximidade com Lula e atuação na AGU

A relação direta com o presidente Lula também será um foco central da sabatina. Como advogado-geral da União, Messias é o principal responsável pela defesa jurídica do Executivo, o que o coloca no centro de disputas institucionais sensíveis e com potencial de desgaste político no Senado e no STF.

Nos bastidores, senadores avaliam que esse histórico recente levanta questionamentos sobre sua capacidade de atuar com independência na Corte. À frente da AGU, Messias tem se posicionado em temas que geram tensão entre o Congresso e o STF.

Um ponto de desgaste é sua atuação na agenda de transparência das emendas parlamentares. Sob sua gestão, a AGU criou um grupo de trabalho para apurar irregularidades na execução desses recursos, em cumprimento a decisões do Supremo. Essa medida, contudo, gerou desconforto entre senadores, que a interpretaram como um movimento alinhado a uma agenda de maior controle sobre o Legislativo.

Em outra situação, durante a reação do Congresso a uma liminar do ministro Gilmar Mendes sobre regras para pedidos de impeachment de membros da Corte, Messias solicitou a revisão da decisão. Esse gesto foi interpretado como uma tentativa de acomodar o conflito com o Senado sem romper com o Supremo.

Caso Banco Master e teste de autonomia

O caso do Banco Master, que ganhou destaque recente no Congresso e no Supremo, servirá como mais um eixo de pressão. A investigação mobilizou diferentes frentes, incluindo CPIs no Senado, e levantou questionamentos sobre as relações entre instituições financeiras, autoridades públicas e decisões judiciais.

Senadores pretendem usar o tema para testar a posição de Messias sobre transparência, governança e controle institucional, além de sua disposição em lidar com investigações de alto impacto político e econômico. O episódio pode ser usado como ponto de partida para questionamentos mais amplos sobre como o indicado se posicionaria em casos envolvendo membros do próprio Judiciário.

Para os parlamentares, a sabatina se configurará como um “teste de autonomia”, onde Messias será questionado não apenas sobre posições jurídicas, mas também sobre sua capacidade de se desvincular de sua trajetória no Executivo. A expectativa é de uma sessão longa, com forte exposição pública e tentativas de marcação de posição por parte da oposição.

Fonte: Infomoney

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