A infestação do mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim, está impactando severamente a rotina dos habitantes de Braço do Baú, zona rural de Ilhota, em Santa Catarina.


Os moradores são forçados a manter portas e janelas trancadas, utilizam repelentes constantemente e vestem roupas de manga longa, mesmo em dias quentes, para se proteger das picadas que causam coceira e podem transmitir a febre oropouche.
Embora a presença do inseto não seja uma novidade na região, os residentes relatam uma piora significativa nos últimos anos, com a situação atingindo um pico que impede até mesmo o uso das áreas externas das residências.
Impacto na qualidade de vida
A Secretaria de Meio Ambiente de Ilhota confirmou, em comunicado oficial, o aumento expressivo da incidência do maruim, especialmente em Braço do Baú. A pasta admitiu o impacto negativo na qualidade de vida da população e informou que está em busca de soluções inovadoras e viáveis para o combate ao mosquito.
A análise de um produto em fase de pesquisa no mercado está entre as medidas consideradas. Contudo, o município ressaltou que o Brasil ainda não dispõe de produtos registrados na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que sejam comprovadamente eficazes para o controle deste inseto, o que limita as ações imediatas do poder público.
Situação em cidades vizinhas
A infestação de maruim já levou à decretação de situação de emergência em Luiz Alves, cidade vizinha a Ilhota, no início de 2024. Na época, moradores expressaram o extremo desconforto causado pelas picadas, que afetaram tanto as áreas urbanas quanto as rurais.
A economia agrícola local também foi ameaçada, com a dificuldade de realizar trabalhos em áreas externas. Além disso, a rotina escolar foi impactada, com estudantes e funcionários evitando áreas externas e professores relatando distração e prejuízo na aprendizagem dos alunos.
Pesquisas e novas tecnologias
Em janeiro deste ano, o governo de Santa Catarina anunciou resultados promissores de um larvicida experimental que reduziu em 86% a população do mosquito em Luiz Alves, diminuindo os casos de picadas e irritações. O estudo, financiado pela Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina), avaliou um larvicida desenvolvido pela empresa Nório Nanotecnologia.
Outra iniciativa em andamento é a implementação de uma armadilha que utiliza inteligência artificial para capturar e monitorar a presença do maruim. O produto aguarda registro na Anvisa, com a expectativa de início da produção ainda no primeiro semestre do ano.
A prefeitura de Ilhota não registrou casos de febre oropouche em 2024, apesar da intensa infestação.
Fonte: UOL