Pesquisas de opinião na Hungria indicam uma ligeira vantagem para Peter Magyar, desafiante do atual primeiro-ministro Viktor Orbán, embora muitos eleitores ainda estejam indecisos. Uma pesquisa da IDEA mostrou 30% de apoio ao partido Fidesz de Orbán e 39% ao Tisza de Magyar, com 21% ainda sem decidir.






Um estudo do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) sugere que, apesar de Orbán ainda ter chances de um sexto mandato, seus apoiadores discordam dele em alguns pontos de política externa. A maioria dos eleitores húngaros, e até metade dos apoiadores do Fidesz, desejam uma mudança na postura antagônica do país em relação à União Europeia. No entanto, há ceticismo em relação ao apoio à Ucrânia contra a Rússia e oposição à ambição de Kyiv de ingressar no bloco.
O que dizem as pesquisas sobre as políticas da Hungria para a UE?
A pesquisa do ECFR, realizada com 1.001 pessoas, apontou um desejo majoritário por menos atrito nas relações com a UE. Cerca de 43% dos entrevistados pediram uma ‘abordagem muito diferente’, enquanto 25% desejaram ‘pequenos ajustes’. Apenas 19% queriam manter a abordagem atual, número que subiu para 44% entre os apoiadores do Fidesz. Impressionantes 91% dos apoiadores de Magyar queriam uma relação realinhada com a UE, e 77% dos respondentes apoiaram a adesão da Hungria ao bloco. Além disso, 66% concordaram que o país deveria aderir à zona do euro.
Pawel Zerka, do ECFR, destacou que, apesar das críticas de Orbán à UE, dois terços dos húngaros confiam no bloco e apoiam a permanência do país. Apenas 15% dos respondentes expressaram desconfiança na UE.
Como os eleitores húngaros veem a guerra na Ucrânia?
A oposição de Orbán ao apoio à Ucrânia se tornou um ponto central de sua campanha. O estudo do ECFR revelou que a postura do governo em relação à guerra ressoou com o público, que em grande parte se opõe ao desejo de Kyiv de ingressar na UE. Dos apoiadores do Fidesz, 77% preferem manter a abordagem atual em relação à Ucrânia, enquanto apenas 11% dos apoiadores de Magyar concordam. Apenas 26% dos respondentes apoiaram o apoio financeiro à Ucrânia, com 47% dos apoiadores de Magyar concordando.
A maioria (56%) se opôs à entrada da Ucrânia na UE, com 50% dos apoiadores de Magyar endossando a ideia, enquanto 77% dos apoiadores do Fidesz se opuseram fortemente. Quanto ao trânsito de ajuda militar, 36% apoiaram, mas 77% dos apoiadores do Fidesz se opuseram. Em relação ao petróleo russo, 66% dos apoiadores de Magyar desejam parar de comprá-lo, mas 77% dos apoiadores do Fidesz se opõem.
Piotr Buras, do ECFR, alertou que, mesmo com uma vitória de Magyar, não se deve esperar uma virada completa na política externa húngara. Há divisões e ceticismo sobre futuros pacotes financeiros para Kyiv e a adesão à UE, sugerindo que Budapeste não se alinhará facilmente a todos os aspectos da política externa da UE.
Quais foram as prioridades dos eleitores húngaros?
As divisões na política externa podem não ser os fatores decisivos na eleição. Apenas 6% dos respondentes consideraram as ‘relações com a UE’ como a questão mais importante. Os apoiadores de Magyar apontaram corrupção e governança (31%), serviços públicos (18%) e custo de vida e inflação (17%) como suas principais preocupações. Já os apoiadores de Orbán citaram segurança energética (22%) e custo de vida e inflação (20%).
A pesquisa, assim como a da IDEA, indicou que cerca de um em cada cinco eleitores ainda estava indeciso, com aproximadamente 60% desse grupo confirmando que votariam.
Fonte: Dw