Viktor Orbán usa futebol para consolidar poder na Hungria

Viktor Orbán utiliza o futebol e o programa TAO para consolidar seu poder na Hungria, expandindo influência para clubes internacionais e fortalecendo o voto da diáspora.

O uso estratégico do futebol na Hungria tem sido fundamental para a consolidação do poder do Primeiro-Ministro Viktor Orbán e de seu partido Fidesz. A vasta rede de clubes, academias e projetos de infraestrutura esportiva em todo o país cria um sistema de apadrinhamento que liga comunidades locais e elites ao partido, gerando consequências eleitorais significativas, especialmente em áreas rurais.

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Influência estatal em clubes húngaros

A influência estatal é notável em praticamente todos os clubes da primeira divisão húngara. Embora não necessariamente controlados diretamente pelo Fidesz, muitos clubes têm políticos nomeados para cargos executivos, recebem investimentos de braços do estado ou contam com financiamento governamental. O programa TAO, que permite a dedução fiscal de doações corporativas a clubes em esportes selecionados, tem sido um canal importante para o direcionamento de bilhões de forints para clubes apoiados pelo governo e para empresas ligadas a Orbán.

Expansão internacional e voto da diáspora

O Fidesz também expandiu seus interesses para clubes em países vizinhos, como Romênia, Eslováquia, Sérvia, Eslovênia, Croácia e Ucrânia. Essa estratégia combina o apreço de Orbán pelo futebol com a manutenção do poder político, além de atrair votos. Hungaros étnicos em países vizinhos, que podem votar em eleições húngaras desde 2010, historicamente favorecem o Fidesz. O investimento em infraestrutura esportiva nessas comunidades, como estádios e programas para jovens, reforça a mensagem de que o governo de Orbán se importa com os húngaros no exterior.

O projeto Puskás Akadémia e a narrativa nacionalista

A Puskás Akadémia, um dos clubes mais proeminentes, foi fundada e é controlada por Orbán desde 2007. Nomeada em homenagem a Ferenc Puskás, um ícone do futebol húngaro, a academia é um projeto pessoal do primeiro-ministro, que construiu seu próprio estádio, o Pancho Arena. A narrativa de “Tornar o futebol húngaro grande novamente” é utilizada por Orbán e pelo Fidesz para evocar um passado glorioso e contrastá-lo com o período comunista, apelando a um sentimento ultranacionalista.

O impacto da Liga dos Campeões

A construção de mais de 25 estádios em todo o país, incluindo a Puskás Arena em Budapeste, que sediará a final da Liga dos Campeões, é vista como uma validação da estratégia de “esporte como construção nacional” de Orbán. A possibilidade de perder o poder antes da final seria uma perda simbólica significativa. O resultado das eleições em 12 de abril terá implicações não apenas para o esporte húngaro, mas também para a viabilidade de projetos nacionalistas populistas em contextos democráticos.

Fonte: Dw

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