A Polícia Civil da Bahia investiga uma clínica médica em Irecê, a 478 km de Salvador, por possíveis irregularidades em cirurgias oftalmológicas. Ao menos 26 pacientes relataram perda total ou parcial da visão após procedimentos no Ceom Day Hospital, clínica particular que também atende pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).


Entre 28 de fevereiro e 1º de março de 2026, 143 pacientes da clínica realizaram um procedimento de terapia antiangiogênica, que envolve a injeção de medicamentos nos olhos para impedir a formação de novos vasos sanguíneos anormais sob a retina. Os pacientes receberam aplicação de Avastin (bevacizumabe), medicamento oncológico produzido pela Roche.
Após os procedimentos, 26 pessoas relataram ardência nos olhos e hiperemia ocular, sendo que 23 delas eram pacientes do SUS. A Roche Farma Brasil informou que acompanha o caso e que, até o momento, não foram detectados desvios de qualidade na fabricação do produto. A empresa ressaltou que o Avastin, aprovado pela Anvisa desde 2002, foi desenvolvido para tratar vários tipos de câncer e não para uso oftalmológico injetável.
O uso off-label do medicamento tem sido associado a eventos adversos, conforme indicado em bula. A Vigilância Sanitária estadual inspecionou a clínica e identificou irregularidades no armazenamento do Avastin, incluindo ausência de monitoramento adequado de temperatura e despreparo da equipe quanto aos protocolos. O órgão aguarda resultados de análises laboratoriais de produtos apreendidos.
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na clínica, apreendendo prontuários médicos e documentos. A Secretaria de Saúde da Bahia suspendeu o encaminhamento de novos pacientes para a unidade após os relatos de danos e afirmou que a realização dos procedimentos é de responsabilidade exclusiva da clínica.
O advogado de 12 pacientes que tiveram danos oculares afirma que quatro deles perderam a visão dos dois olhos e ingressou com ações judiciais requerendo que o Ceom Day Hospital custeie exames para segunda opinião e indenização por danos morais. A clínica afirma estar prestando assistência aos pacientes e colaborando com as investigações.
Fonte: UOL