Um novo ciclo de mercado, distinto da era das big techs, está em curso e foca em segurança e defesa, segundo análise do BTG Pactual. A próxima década pode ser definida por esse vetor, com implicações diretas para investidores, priorizando segurança e defesa.






O que antes era um tema secundário em carteiras globais ganha status de tese estrutural de longo prazo, impulsionado por crescimento, previsibilidade e suporte estatal.
Um mundo mais tenso, um mercado maior
O cenário global mais instável, com 59 conflitos armados em 2025, pressiona governos a rever prioridades e ampliar investimentos em defesa. Os gastos globais atingiram um recorde de US$ 2,6 trilhões, mas ainda representam 2,5% do PIB global, indicando espaço para expansão. Um aumento de 1 ponto percentual do PIB poderia direcionar US$ 620 bilhões adicionais ao setor.
Os Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha e Índia concentram cerca de 55% dos gastos globais. O orçamento dos EUA pode ultrapassar US$ 1,5 trilhão até 2027, um aumento de 60%.
A receita do setor somou US$ 922 bilhões em 2024, com alta de 9,3%, e deve manter um ritmo semelhante até 2027. O indicador book-to-bill acima de 1,0x por nove trimestres consecutivos sugere uma carteira de pedidos crescente e receitas futuras previsíveis.
Esse conjunto forma a base de um novo superciclo global, com reposicionamento estrutural da economia onde segurança assume o centro das políticas industriais e fiscais.
A tese de investimento em segurança e defesa
Segurança e defesa deixam de ser um tema tático para integrar o radar estratégico de alocação, segundo o BTG Pactual. A tese se apoia em três pilares: crescimento estrutural dos orçamentos, previsibilidade via contratos de longo prazo e resiliência em cenários econômicos adversos.
O setor se assemelha a uma “infraestrutura global” com demanda constante, pouco sensível a crises e com forte apoio governamental.
A preferência recai sobre empresas de hardware que capturam diretamente o aumento dos investimentos.
Para diversificação, o BTG recomenda ETFs como o iShares U.S. Aerospace & Defense (ITA), negociado nos EUA e acessível no Brasil via BDR BAER39. O fundo replica o desempenho das principais companhias norte-americanas do setor, oferecendo exposição direta a uma cadeia dependente de contratos governamentais.
Empresas como GE Aerospace (20% da carteira), RTX Corporation, Boeing, Lockheed Martin e Northrop Grumman estão entre as maiores posições do ETF. O fundo acumula alta de 88% desde o início de 2024, superando o S&P 500.
Em um mundo mais fragmentado, defesa consolida-se como uma das teses de investimento mais consistentes no cenário global.
Fonte: Moneytimes