A alta nos preços do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas, traz impactos mistos para a economia brasileira. Segundo a XP Investimentos, o cenário de petróleo mais caro eleva receitas com royalties e participações na produção, melhora o superávit comercial e contribui para um câmbio mais valorizado, o que ajuda a atenuar pressões inflacionárias.






A XP revisou suas projeções para o preço do petróleo Brent, antecipando uma média anual de US$ 90 por barril em 2026 e US$ 80 em 2027. A consultoria destaca que produtores fora do Oriente Médio, como o Brasil, tendem a ser menos afetados, com projeções elevadas para receitas fiscais e superávit comercial, mesmo com o aumento no custo de fertilizantes.
Benefícios para a balança comercial e arrecadação
Os preços mais altos do petróleo favorecem a balança comercial brasileira. A XP elevou a projeção do saldo comercial para 2026 de US$ 54 bilhões para US$ 76,5 bilhões. A arrecadação fiscal também deve aumentar, com ganhos em royalties e outras participações na produção da commodity, o que pode ajudar a reduzir o déficit primário projetado.
No mercado de câmbio, o real tem apresentado um desempenho superior a outras moedas emergentes, com valorização acumulada no ano. A XP ajustou sua projeção para a taxa de câmbio no final de 2026, esperando R$ 5,30 por dólar. O Brasil é visto como um “vencedor líquido” em cenários de alta do petróleo, o que, somado a fluxos globais para mercados emergentes, tende a sustentar a moeda brasileira.
Pressões inflacionárias e juros
Apesar dos efeitos positivos, o aumento do custo de combustíveis e transporte gera pressões inflacionárias. A XP elevou a projeção do IPCA para 2026 de 3,8% para 4,8%, refletindo o choque de oferta que afeta combustíveis, bens industrializados e passagens aéreas. A taxa Selic prevista para o final do ano foi ajustada de 12,75% para 13,50%.
O efeito em cadeia do petróleo sobre o IPCA é notável, com maior pressão sobre bens industrializados, cuja projeção de inflação anual passou de 2,1% para 3,2%. Reajustes em fretes também impactam hortifrutigranjeiros e outros alimentos. A expectativa é que a taxa de câmbio ligeiramente mais apreciada atenue parte dessas pressões.
Crescimento econômico e incertezas
A economia brasileira iniciou o ano com ritmo acelerado, impulsionada por um mercado de trabalho resiliente e crescimento de rendimentos. A projeção de crescimento do PIB para o ano permanece em 2,0%, com apoio de medidas governamentais. No entanto, as incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio pressionam preços, reduzem a renda disponível e limitam cortes de juros, impactando consumo e investimentos privados.
Para 2027, a estimativa de crescimento é de 1,2%, com impulso fiscal negativo e juros ainda elevados. O hiato do produto deve se aproximar da neutralidade apenas em meados do ano seguinte.
Fonte: Moneytimes