STF define eleição direta ou indireta para governador do Rio

STF debate se eleição para governador do Rio será direta ou indireta após renúncia de Cláudio Castro. Julgamento segue com votos divergentes.

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a primeira sessão de julgamento sobre como será a eleição para o mandato-tampão de governador e vice-governador do Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro. A Corte definirá se a escolha será por eleição direta, com voto popular, ou indireta, pelos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O julgamento, empatado em 1 a 1, será retomado nesta quinta-feira, 9. Faltam os votos de oito ministros. Na sessão desta quarta-feira, o ministro Cristiano Zanin votou pela realização de eleições diretas, mas evitou tratar de pontos como formato e datas do pleito. O ministro Luiz Fux divergiu, posicionando-se a favor da realização de eleições indiretas.

Em qualquer cenário, os novos ocupantes do cargo ficarão no posto até 31 de dezembro. O próximo governador, que cumprirá mandato integral, será eleito em outubro por voto direto. A possibilidade de votação conduzida pelos deputados estaduais ganha força no STF devido à logística necessária para planejar duas eleições para governador no mesmo ano no Rio.

Entenda o caso

Em 27 de março, o ministro Cristiano Zanin suspendeu liminarmente a realização de eleições indiretas para o cargo. Na mesma decisão, pediu destaque no julgamento da ADI 7.942, sob relatoria do ministro Luiz Fux, que discute as regras para a eleição ao governo do Rio. São essas duas ações que passam pelo escrutínio dos ministros.

Argumentos pela eleição direta

O advogado Thiago Fernandes Boverio, representando o Partido Social Democrático (PSD), defendeu a realização de eleição direta no Rio de Janeiro. Ele comparou o Estado a Gotham City e afirmou que, se a escolha for indireta, o eleito “não será o Batman, mas sim o Coringa”. Outros advogados do PSD argumentaram que eleições diretas seriam a única forma de “recuperar a esperança da população fluminense”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo um parecer defendendo a realização de eleição direta. Na avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a renúncia de Castro “em meio ao julgamento (de um processo contra o governador no TSE) é uma manobra para fugir das consequências legais”.

Votos de Fux e Zanin

Ao analisar a ação que questiona as regras do Estado do Rio de Janeiro para uma eventual eleição indireta, o ministro Luiz Fux afirmou que os Estados têm autonomia para definir esse tipo de procedimento, desde que respeitados os limites da Constituição. Ele destacou que o cenário fluminense exige uma leitura mais cuidadosa das normas, justamente por envolver uma situação atípica e sensível do ponto de vista institucional. Fux defendeu a adoção do voto secreto, citando fortes indícios de fragilidade institucional e risco de influência do crime organizado no pleito.

O ministro Cristiano Zanin, que defende a eleição direta, acompanhou parcialmente o voto de Fux. Para ele, a lei estadual deve ter aplicação mais limitada, já que não diferencia situações em que a vacância decorre de causas eleitorais ou não. Segundo o ministro, quando a vacância tem origem eleitoral, como no caso de Cláudio Castro, não cabe ao Estado do Rio definir as regras, pois prevalece a legislação federal. Em relação aos pontos específicos da norma, Zanin divergiu de Fux quanto ao modelo de votação, defendendo que o voto aberto deve ser mantido por garantir mais transparência.

Renúncia e condenação de Castro

Em 24 de março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-governador do Rio e o declarou inelegível até 2030. Cláudio Castro também teria o mandato cassado, mas renunciou ao cargo um dia antes do julgamento. Segundo a acusação, a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) teriam sido utilizadas para criar mais de 27 mil cargos irregulares comissionados para empregar cabos eleitorais e favorecer a reeleição do governador em 2022.

Fonte: Estadão

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