Economias de países em conflito enfrentam perdas econômicas significativas e persistentes. Segundo análise do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) de nações em combate pode cair em média 3% no início do conflito, com perdas acumuladas atingindo cerca de 7% em cinco anos.
Essas perdas superam as causadas por crises financeiras e desastres naturais severos. Conflitos de menor intensidade também resultam em quedas expressivas do produto, comparáveis às de crises cambiais.
As contrações no PIB refletem quedas sustentadas no investimento e no consumo privado, enquanto o consumo governamental permanece estável, com uma mudança de composição em direção aos gastos com defesa. Apesar disso, as posições fiscais se deterioram, e a dívida pública aumenta nos primeiros anos de conflito.
No setor externo, importações e exportações sofrem contrações, levando à deterioração do indicador de comércio. A escassez de reservas pode comprimir importações nos anos seguintes.
A elevada incerteza desencadeia saídas de capital, afetando o investimento estrangeiro direto e os fluxos de carteira. Governos em tempo de guerra dependem de ajuda externa e remessas para financiar déficits comerciais.
Governos respondem com controles de capitais, mas a dinâmica da guerra contribui para depreciação cambial sustentada, perda de reservas e pressões inflacionárias. Os preços acumulam alta de aproximadamente 35% cinco anos após o início do conflito, levando autoridades monetárias a elevar juros.
A Ucrânia, após a invasão russa em 2022, sofreu um colapso dramático em sua economia. Medidas fiscais, monetárias e financeiras extraordinárias foram necessárias, incluindo repriorização do orçamento para gastos com defesa.
A Rússia demonstrou resiliência inicial, apoiada por um choque favorável nos termos de troca e adaptação à lógica de guerra. Contudo, o país enfrenta aumento da inflação, restrições de trabalho e capacidade produtiva, e aperto monetário.
Cicatrizes Econômicas e Humanas
Conflitos de grande porte geram efeitos duradouros na macroeconomia e nos indivíduos. O estoque de capital, o emprego e a produtividade sofrem quedas significativas. Em cinco anos, o estoque de capital pode ser cerca de 4% menor e o emprego 3% menor.
A produtividade total dos fatores também diminui nos primeiros anos, com variações substanciais entre países.
Além das cicatrizes macroeconômicas, conflitos aumentam o número de mortes e causam deslocamentos forçados em grande escala. Sobreviventes enfrentam consequências adversas de longo prazo para a saúde, envelhecendo com pior estado de saúde e enfrentando impactos negativos em habilidades cognitivas, capacidades físicas e saúde mental.
Os custos de grandes conflitos transcendem a perturbação macroeconômica de curto prazo, com consequências duradouras para o potencial econômico e o bem-estar humano.
Recuperação Pós-Conflito
O FMI destaca que financiamento e assistência internacional são cruciais para a estabilização e recuperação das economias após o fim dos conflitos. Reestruturação da dívida e maior engajamento em desenvolvimento de capacidade estão positivamente correlacionados com recuperações mais vigorosas.
Políticas inclusivas, como o aumento dos gastos sociais, também desempenham um papel importante no crescimento pós-conflito. Casos como Bósnia e Herzegovina, Camboja e Ruanda demonstram recuperações robustas com estabilização macroeconômica e assistência internacional.
Nesses países, o crescimento médio anual do produto nos primeiros cinco anos após o conflito foi significativo. A estabilização macroeconômica, a redução da inflação e a manutenção de uma taxa de câmbio real estável foram fundamentais para evitar efeitos adversos sobre a competitividade do setor exportador.
O FMI alerta que, em alguns casos, uma apreciação real da moeda doméstica em direção ao equilíbrio pode ser esperada.
Fonte: Infomoney