O presidente do PL fluminense, Altineu Côrtes, afirmou que o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) busca realizar o “primeiro round” da eleição presidencial no Rio de Janeiro. A declaração surge no dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decide sobre a eleição direta para o mandato-tampão de governador do Rio.
Côrtes criticou a tentativa de Paes de judicializar a disputa e evitar que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) defina internamente quem ocupará o cargo de governador até outubro. Segundo o dirigente do PL, a manobra de Paes configura uma “prévia” da eleição presidencial.
Ainda que a eleição indireta favoreça o candidato do PL, Douglas Ruas (secretário do ex-governador Cláudio Castro), a avaliação do partido é que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode percorrer o estado para angariar votos para Ruas e, ao mesmo tempo, consolidar a força da família Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Aliados de Paes temem que a eleição direta fora de época se torne uma oportunidade para Flávio Bolsonaro percorrer o estado e consolidar apoios para uma futura disputa à Presidência da República.
Desconfiança do PL com o governador interino
Altineu Côrtes também criticou a nomeação de um aliado de Eduardo Paes, o delegado Roberto Lisandro Leão, para a Secretaria de Governo durante a gestão interina do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Côrtes questionou se há uma ligação política entre a prefeitura e o governador interino.
O presidente do PL-RJ considerou uma “agressão” a interferência do STF na linha sucessória do estado, provocada pelo PSD, partido de Eduardo Paes. Ele acredita que essa ação está ajudando a promover o nome de Douglas Ruas, ainda desconhecido pelo eleitorado.
Imbróglio judicial sobre eleição no RJ
Em 27 de março, o ministro Cristiano Zanin suspendeu a realização das eleições indiretas para governador do Rio, determinando que o presidente do TJ-RJ permanecesse no cargo até o julgamento do tema pelo STF. O desembargador assumiu o governo após a renúncia de Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado, mas Castro foi condenado por abuso de poder político e está inelegível até 2030.
O próximo na linha sucessória, o vice-governador Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e também foi condenado pelo TSE.
Fonte: Estadão