Guadalajara, uma das sedes da Copa do Mundo de 2026, enfrenta o desafio de projetar controle em meio à presença de um dos cartéis mais poderosos do México. A cidade, lar do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), busca acalmar dúvidas sobre sua capacidade de sediar o evento global.



Em fevereiro, a capital de Jalisco foi palco de violentos distúrbios após a morte do líder do CJNG, Nemesio “El Mencho” Oseguera. O incidente gerou preocupação internacional, mas a presidente Claudia Sheinbaum apresentou um plano de segurança com 99 mil agentes para as cidades-sede.
Segurança e interesses do cartel
Autoridades e especialistas apontam que o CJNG tem interesse em um torneio bem-sucedido em Guadalajara, que se tornou um centro de lavagem de dinheiro e impulsionou um boom imobiliário. A organização criminosa pode lucrar com o aumento do fluxo de turistas e não deseja atrair atenção indesejada das autoridades.
Apesar da possibilidade de violência esporádica, analistas acreditam que o cartel evitará ataques diretos a turistas ou ao evento, temendo uma resposta contundente dos Estados Unidos, um dos países-sede. A lição histórica para os cartéis mexicanos é não interferir com os interesses americanos.
A ‘paz criminosa’ de Guadalajara
A cidade vive uma espécie de “paz criminosa”, onde o controle territorial do cartel mantém crimes menores, como assaltos, sob controle para evitar chamar atenção. A taxa de homicídios, embora alta para padrões internacionais, é moderada para o México.
Os ataques coordenados após a morte de El Mencho foram incomuns, mas, segundo moradores e motoristas de aplicativo, a situação tende a se normalizar. O setor turístico espera que os visitantes se sintam seguros, com a ocupação hoteleira se recuperando.
Expectativas e riscos para a Copa do Mundo
As autoridades mexicanas e hoteleiros esperam que a Copa do Mundo impulsione a economia local. No entanto, a remoção de um líder do cartel pode levar a conflitos internos e aumentar o risco de violência, um cenário preocupante para os moradores.
A presença policial concentrada em pontos turísticos levanta questionamentos sobre a segurança para os residentes locais, que sentem que a prioridade é proteger os turistas. A expectativa é que, apesar dos riscos, as semanas do torneio sejam economicamente favoráveis para o crime organizado.
Fonte: UOL