A tripulação da missão Artemis 2, liderada por Reid Wiseman, realizou um sobrevoo histórico do lado oculto da Lua, uma região inacessÃvel para observação direta da Terra. A missão, organizada pela Nasa, marcou o retorno de humanos à órbita lunar desde 1972 e estabeleceu um novo recorde de distância da Terra, superando a marca de 400.171 quilômetros alcançada pela Apollo 13.




O interesse renovado na Lua, especialmente em seu lado oculto, é impulsionado por avanços tecnológicos e pela busca por novos conhecimentos e recursos. Missões recentes da China, como a Chang’e 4 e a Chang’e 6, já exploraram essa região, coletando amostras e dados valiosos.
Oculto, mas não às escuras
A face oculta da Lua, apesar de não ser visÃvel da Terra, recebe luz solar e possui caracterÃsticas geológicas distintas. A primeira imagem dessa região foi capturada pela sonda soviética Luna 3 em 1959. A inacessibilidade visual é resultado da rotação sincronizada, onde a Lua leva o mesmo tempo para girar em seu eixo e orbitar a Terra, sempre apresentando a mesma face.
A comunicação com o lado oculto é um desafio, exigindo naves em órbita lunar para retransmitir dados e comandos, como explicado pelo professor Martin Barstow. Essa dificuldade técnica adiciona complexidade às missões exploratórias.
Acidentada, dura e fria
A face oculta da Lua apresenta uma crosta mais espessa e antiga, com relevo acidentado, marcado por crateras e cadeias de montanhas. Uma hipótese sugere que a influência térmica da Terra durante a formação lunar pode ter levado a face visÃvel a permanecer quente por mais tempo, enquanto o lado oculto esfriou mais cedo, desenvolvendo uma crosta mais robusta.
Essa região é um registro importante para entender a evolução de planetas rochosos. A observação de formações como o mar Orientale, uma grande cratera formada durante o bombardeio intenso tardio, é crucial para a compreensão da formação de crateras em todo o Sistema Solar. Missões recentes também indicam temperaturas mais baixas e menor presença de água congelada no lado oculto.
Uma mina e uma base espacial
O lado oculto da Lua oferece potencial para o futuro da exploração espacial. O estudo do deslocamento do pó lunar e da dinâmica das sombras é fundamental para o planejamento de futuras bases e missões de longa duração.
A região é considerada ideal para a instalação de radiotelescópios, devido ao seu silêncio radioelétrico, livre de interferências. Além disso, o lado oculto pode ser uma fonte de hélio-3, um isótopo com potencial para suprir as necessidades energéticas da Terra, e pode conter minerais de alto valor econômico, como terras raras.
O crescente interesse internacional pela Lua é evidenciado pelas missões recentes de paÃses como Estados Unidos, China, à ndia e Rússia, com novas expedições já planejadas.
Fonte: UOL