Banco Mundial: Argentina se destaca, Brasil sofre com perda de dinamismo

Banco Mundial aponta Argentina em destaque e Brasil com perda de dinamismo devido a juros altos, incertezas e espaço fiscal limitado. Entenda os motivos.

O Banco Mundial divulgou um relatório sobre o panorama econômico da América Latina e Caribe, destacando a economia argentina e apontando que Brasil e México enfrentam perda de dinamismo. As condições financeiras internas restritivas, o espaço fiscal limitado e a incerteza na política comercial são fatores que afetam os dois países.

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O organismo internacional avalia que as perspectivas de crescimento para a região permanecem limitadas, apesar de condições financeiras globais ligeiramente mais favoráveis e da sustentação dos preços das commodities. A falta de melhora em relação ao ano anterior oculta perspectivas mais fracas para muitos países, com ganhos de renda per capita praticamente estagnados.

O consumo segue como principal motor, mas com impulso modesto, à medida que a renda real se recupera gradualmente e os custos reais de crédito continuam elevados. O principal fator limitante é o investimento, que permanece contido, enquanto as empresas aguardam sinais mais claros sobre o ambiente externo e os arcabouços de políticas internas.

Argentina: Reformas impulsionam expectativas

A Argentina surge como a principal exceção positiva, com a estabilização e as reformas melhorando as expectativas e as condições financeiras. O Banco Mundial projeta um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% para o país neste ano. O presidente Javier Milei tem implementado uma agenda de reformas econômicas para conter a inflação e estimular o crescimento.

O ajuste fiscal, que passou de um grande déficit em 2023 para superávits primários e globais, tem contribuído para ancorar as expectativas de inflação e reduzir o risco soberano. Medidas como a Reforma Tributária, o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) e a reforma do mercado de trabalho visam estimular investimentos. Âncoras externas complementares, como a estrutura estratégica com os Estados Unidos para fortalecer cadeiras de suprimento de minerais críticos, também foram citadas.

Apesar dos avanços, riscos negativos permanecem significativos, especialmente diante das grandes necessidades de financiamento externo da Argentina em um contexto de reservas internacionais líquidas negativas e acesso limitado aos mercados internacionais de dívida.

Brasil: Juros altos e incertezas freiam economia

No Brasil, a queda dos juros no início do ano e os preços de commodities vantajosos permanecem insuficientes para superar o entrave causado por tensões comerciais persistentes, incertezas em matéria de políticas, espaço fiscal limitado e demanda privada fraca. O país deve desacelerar ainda mais em relação ao ano anterior.

As condições financeiras restritivas, com taxas de juros elevadas até o início de 2026, e o ambiente externo fraco pressionam o crédito, o investimento e o comércio. Uma melhora mais perceptível deverá ocorrer apenas se as condições monetárias se normalizarem e as pressões globais diminuírem. A demanda doméstica vem enfraquecendo em países onde as condições monetárias permanecem restritivas e o espaço fiscal é limitado, como é o caso do Brasil.

A inadimplência de crédito vem aumentando gradualmente, refletindo os efeitos defasados das elevadas taxas reais de juros. O governo brasileiro trabalha em um novo programa para reduzir o endividamento da população, unificando dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com descontos nos juros. Há também a análise de autorizar o uso de recursos do FGTS para pagamento de dívidas.

Fonte: G1

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